terça-feira, 10 de abril de 2012

Interação Professor-Aluno

Trabalho apresentado pelas estudantes de filosofia da UFSJ: Daiane Fátima de Souza
Juliana Oliveira Monteiro
Karoline Santos Gomes
na disciplina Psicologia da educação I - 1º semestre/2011


No presente trabalho será discutida a atual questão da importância de se promover uma possível relação entre o professor e seus alunos. Investigaremos acerca da questão da falta de interesse dos alunos, que consequentemente está relacionado com diversos fatores, entre eles: falta de uma boa formação dos professores, de valorização do professor, de recursos materiais nas escolas, de criatividade do professor e o profissional que não se identifica com a profissão.
Para melhor tratarmos o tema acima, foi analisada a obra de Cipriano Carlos Luckesi, intitulada Filosofia da Educação, mais propriamente o capítulo sexto, cujo título é: Sujeitos da Práxis Pedagógica: O Educador e o Educando, no qual ele descreve minuciosamente como devemos definir o que seria os “sujeitos” da prática educativa e como poderia ocorrer uma relação entre eles.
Também foi analisado dois artigos científicos, o primeiro intitulado: Variáveis que afetam a aprendizagem: percepção de alunos de licenciatura e professores das autoras: Elzira Teixeira Ariza Oliveira e Solange Muglia Wechsler, e o segundo Processos de significação na relação professor-alunos: uma perspectiva sociocultural construtivista de Maria Carmen Villela Rosa Tacca e Angela Uchoa Brancco.
A princípio Luckesi procura definir o que são os sujeitos da práxis pedagógica e qual o seu verdadeiro papel, no entanto, ele enfatiza, que para tanto, é necessário analisar essa questão a luz da razão, ou seja, devemos sair do mero senso comum e iniciar de forma critica com a pergunta “O que é o Ser Humano?”.
O ser humano é dotado de várias características, entre elas: ele é social, pode transformar a realidade e a si próprio por meio de sua ação, é um ser histórico, então, está em constante movimento, sofre transformações determinadas pelo seu tempo.
Para fundamentar estas características, o autor vai descrever o pensamento de Marx, no que se refere à questão do trabalho na sociedade capitalista. Para ele, a “essência do ser humano é o trabalho”, pois é fonte criadora. Luckesi vai tentar promover didaticamente uma discussão concreta sobre o processo da educação, pois assim, estaremos em contato com a verdadeira situação educacional atual, em que o educar é construir e alienar ao mesmo tempo.
Como o ser humano se realiza pela sua ação, está deve ser entendida, como sendo um ponto positivo do trabalho/educação, por ela o homem pode voltar-se para si mesmo, ele pode refletir sua ação e procurar conhecimento. Aqui encontramos um eterno movimento que promove desenvolvimento. No entanto, essa mesma ação que constrói o ser humano, também o aliena. E exatamente, por termos este fator negativo, que aliena a consciência do educando, passamos a enxergar uma possibilidade da mudança, que poderá ocorrer através da criatividade e da comunicação das experiências entre os seres humanos.
O educador possui um importante papel nesse processo. Ele é o ser humano que possui um papel específico na relação pedagógica, que seria o de mediar o universal (a cultura acumulada pela humanidade) e o particular do educando, que deve ser sempre considerado. Para tanto, o educador deve ter um nível de cultura necessária, por isso ele não pode ser ingênuo, ou mero reprodutor da sociedade, ele também tem que ter clareza daquilo que está comprometida a sua ação.
Também temos que ressaltar o quanto se faz importante a competência teórica, o educador não deve “despejar” conteúdos na sala de aula, ele precisa conhecer bem seu campo e desejar ensinar, possuir a “arte de ensinar”, gostar e se identificar com a profissão.
O educando é o sujeito que busca adquirir um novo patamar de conhecimento, habilidades e modos de agir, por isso busca a escola (forma institucionalizada de educação na sociedade moderna, que exige cada vez mais novos níveis de entendimento). Ele não é “pura massa” a ser informada, mais deve ser visto como um sujeito com capacidade de construir-se a si mesmo.
A cultura elaborada não suprime a cultura do educando, adquirida pelas suas experiências cotidianas (limitada), ela necessita da mediação do educador e é uma nova cultura reorganizada pelo próprio educando. Neste ponto, percebemos que ele não é um puro saber, nem total ignorância, mais um sujeito que busca constantemente conhecer.
Na relação professor-aluno, o educador é o responsável por criar condições para que o aluno cresça e se desenvolva o que somente ocorrerá se ele usar o mínimo parâmetro de criticidade e entender que o mundo está em constante transformação, ou seja, a educação é um processo que também passa por mudanças, e o educador precisa sempre se adequar a elas, buscando novos métodos de ensino.
No que diz respeito ao artigo: Variáveis que afetam a aprendizagem: percepção de alunos de licenciatura e professores, as autoras Elzira Teixeira e Solange Muglia procuram ressaltar a importância da interação professor-aluno no decorrer do processo de aprendizagem.
Esse artigo descreve uma pesquisa que foi realizada com o objetivo de analisar algumas variáveis que podem afetar o processo de ensino-aprendizagem. A principal preocupação das autoras era encontrar métodos mais eficazes para assegurar um bom desempenho escolar dos alunos em geral.
Para a realização da pesquisa foi selecionada uma amostra contendo noventa estudantes dos cursos de licenciatura em Matemática, Psicologia e Pedagogia e trinta professores da Rede Estadual. Foi dado um questionário com escala do tipo Likert investigando as seguintes áreas de ensino: cotidiano do aluno, planejamento pedagógico, interação professor-aluno e a criatividade no ensino. Além disso, foi pedido aos sujeitos que citassem dez adjetivos do professor real e dez adjetivos do professor ideal. Os resultados obtidos nessa pesquisa foram de extrema importância para confirmar que falta criatividade, principalmente, nos cursos de graduação em licenciatura.
Foi observado que para os alunos de licenciatura as principais características do professor real foram: cansado, desvalorizado, agressivo e preocupado e para os professores: mal-remunerados, cansado, desvalorizado e desatualizado. Quanto ao professor ideal as principais características consideradas pelos alunos foram: criativo, amigo, pesquisador e atualizado, enquanto para os professores foram: criativo, atualizado, bom salário e respeitado.
A partir dessa pesquisa ficou bem claro que a principal característica do professor ideal tanto para os alunos como para os professores foi à criatividade. Outro ponto importante da pesquisa é a valorização do planejamento. Os alunos dão uma maior atenção para o planejamento do que os professores.  O professor real precisa desenvolver melhor o seu lado criativo a fim de melhorar o processo de ensino-aprendizagem.
Outro ponto que merece grande destaque é a interação professor-aluno. Observa-se a pouca importância dada pelos alunos e pelos professores para essa área. As autoras do artigo pretendiam enfatizar essa questão, pois consideram de extrema importância, porém, nem os alunos nem os professores perceberam a importância dessa interação.
Portanto, o processo de ensino-aprendizagem está com grandes falhas que precisam ser repensadas. Segundo as autoras: “Existe a necessidade de repensar a educação para torná-la mais criativa, desenvolver lideranças criativas que contribuam com melhorias no processo de ensino-aprendizagem libertando os estudantes de um sistema de educação mecanicista e robotizante.” (......).
Assim, foi oportuna a utilização do artigo Processos de significação na relação professor-alunos: uma perspectiva sociocultural construtivista de Maria Carmen Villela Rosa Tacca e Angela Uchoa Brancco.
Será feita uma análise das relações entre interações sociais, processos de significação. O estudo analisará a interação dos fatores socioculturais que tenham uma participação ativa do indivíduo em questão. A exigência da qualidade da educação para todos exige a investigação dos fatores e das circunstâncias que implicam no fracasso escolar na escola pública principalmente, este que é ainda tão persistente.
            Entretanto deve-se ter em mente que o fracasso escolar não está ligado somente à classe social que a criança é educada. “Com a expectativa de desconstruir os mitos criados a respeito das crianças, seu desenvolvimento cognitivo, suas famílias e a condição de pobreza da classe de baixa renda.” (CHARLOT, 2000). Há outros fatores ligados ao mau desempenho nos estudos, e também ao problema de indisciplina dos alunos.
            É importante observar que a criança nesta visão construtivista é considerada como um ser ativo, sendo assim, a escola ao tentar ser democrática acaba por cometer inadequações severas, pois não se abre para a perspectiva dos: sujeitos concretos, com suas diferentes formas de ser e pensar sejam alunos ou professores.
            Nem sempre as crianças aprendem aquilo que supostamente à professora lhes ensina, seja em termos de conteúdos, ou em termos de conhecimentos acerca de si e do mundo à sua volta. Cada criança tem sua maneira própria de receber conhecimentos e informações. Esta vai aos poucos compreendendo o significado dos sistemas culturais que caracterizam o que Valsiner chama de cultura coletiva. Entretanto, co-constrói esses significados de maneira ativa e singular, constituindo a sua cultura pessoal. Dessa forma é inadmissível que crianças saudáveis sejam consideradas limitadas e sem condições necessárias para um processo educacional bem elaborado.
            “No contexto da sala de aula, quando o professor comunica qualquer mensagem, cada aluno vai recebê-la significando-a de um modo específico, muitas vezes bem diferente.” (TACCA, 2000).
            A experiência foi feita com duas professoras de segunda série da educação básica. Os processos observados foram:
1°: comunicativos e metacomunicativos
2°: as estratégias pedagógicas
3°: as relações com o saber que eram possibilitadas.
      Houve três sessões que foram "estruturadas" visando:
1°: a privilegiar interações da professora com o grupo todo
2°: os alunos deveriam trabalhar entre si com sua supervisão
3°: a sessão deveria ser estruturada para promover interações didáticas professora-aluno.
      Vilma selecionou quatro alunos, suas atividades desenvolveram em quatro dias consecutivos, já Yolanda em três dias. É importante ressaltar que ambas as professoras se dedicaram para ajudar nas etapas da experiência. O critério de seleção dos alunos foi por terem dificuldade de aprendizagem e de comportamento. Os nomes das professoras e dos alunos são fictícios.
      Vilma escolheu trabalhar com o resumo da fábula A cigarra e a formiga. Tinha pedido aos alunos que trouxessem para a aula curiosidades sobre as cigarras e formigas, após cobrar a tarefa ao aluno João Paulo constatou que este não havia pesquisado nada não só este, mas seus colegas também, Vilma não se preocupou em indagar por que estes não realizaram a tarefa. A professora havia trazido consigo xérox de textos científicos de enciclopédias. Começou então a ler para os alunos numa linguagem científica super difícil, tanto que ela mesma tinha notável dificuldade para ler. Os alunos faziam perguntas interessantes e muito pertinentes a professora, porém esta não estava com segurança de responder, afinal nem ela não se preparou para as possíveis dúvidas dos alunos.
      Ao demonstrar certo nervoso e desconforto diante dos alunos, Vilma disse a eles que o motivo de tanta dúvida se devia ao fato deles não terem realizado a tarefa.
      A interatividade da professora e dos alunos se ateve num clima de incerteza, insegurança e medo afastando possibilidades de aprendizagens significativas sobre um bom tema que despertava a curiosidade e motivação das crianças.
      A professora Yolanda escolheu trabalhar o livro Se as coisas fossem mães, de Sylvia Orthoff. A história era muito propícia já que era mês das mães. Yolanda pediu aos alunos uma atividade escrita que ampliasse as ideias do livro. Esta dava indicadores que ajudavam as crianças a estabelecer relações com coisas ou experiências já vividas. Quando a criança pedia auxílio à professora, esta procurava que a criança mesma identificasse de forma ativa o próprio erro.
      Yolanda mantinha uma voz segura e firme procurando passar segurança aos alunos, incentivava-os dizendo “você sabe”. E por fim reforçava: “não disse que você sabia”.
Vilma: emitia mensagens explicitas e implícitas (verbais e não-verbais) sobre sua desconfiança em relação à capacidade de atenção e aprendizagem das crianças. Os processos de comunicação eram caracterizados, segundo ela, pela falta de interesse ou pré-requisitos por parte dos alunos (conhecimentos prévios, condições familiares, capacidades intelectuais). Por parte dos alunos, observou-se retraimento, medo, insegurança, e submissão diante da autoridade.
Yolanda: apresentava-se bastante construtiva em seus processos comunicativos com os alunos, construindo com eles uma relação de confiança. Cuidadosa nas mensagens implícitas e explícitas, falava com as crianças, mesmo quando corrigia seus erros, considerando que estavam em processo de construção da aprendizagem. Ao questionar as crianças, Yolanda mostrava-se transparente em seus objetivos e intenções, evidenciando respeito ao grupo. Nas perguntas desafiadoras, não havia indicadores de acusação implícita.
Em relação às estratégias pedagógicas, mediadoras da ação docente, foi possível verificar que ambas tinham recursos e/ou materiais pedagógicos similares. A diferença estava na forma como estes eram utilizados, e em quais atividades eram propostas. O que diferenciava as professoras não eram os recursos que tinham para trabalhar, mas suas crenças e objetivos. 
Cada professor tem seu estilo e assim como McDermott (1977) dizia:“O importante não é o "estilo" do professor, mas sim o estabelecimento de uma relação de confiança entre ele e seus alunos.”
A conclusão aponta pata o fato dos processos de significação estar apoiados na metacomunicação e na unidade cognição-afeto, que direcionam as possibilidades de aprendizagem.

Considerações finais
Tanto na docência como em outras profissões amar o que se faz é o principal fator que garante o sucesso de ambas as partes, assim não só o profissional da educação, mas também as sociedades em geral se beneficiarão com os resultados obtidos posteriormente.
Atualmente percebe-se pouco ou nenhum interesse dos alunos para a aprendizagem dentro das escolas, esta realidade poderia ser modificada se houvesse profissionais mais criativos, visto que a criatividade é essencial para o processo interação professor-aluno, nota-se a necessidade de mudança nos métodos de ensino atuais que deve começar na graduação, mais especificamente, nas disciplinas pedagógicas dos cursos de licenciatura, possibilitando assim ao futuro professor e ao meio escolar uma relação mais harmoniosa e produtiva em todos os aspectos.

Referências

         www.scielo.br acesso em 13/06/2011 

         LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo, Cortez. 1991



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