terça-feira, 5 de junho de 2012

Devaneio nº3



"Badalar longínquo, evapora ao ar.
A poeira se alastra, encobrindo
o grande Pilar.
Sucessões desnorteiam o meu ficar.
Figuras remontas a mudança
que aguça meu suspirar."

Karoline S. Gomes

Devaneio nº2


"Sorrir, o gesto que sorrindo, vaga.
Traz tranquilo imagens embaçadas
que em um outro lado
desfigura e transforma as ideias
ali geradas.
Canso-me no debruçar em ombro
turvo, que me leva ao passo errado."

Karoline S. Gomes

Devaneio


"As palavras ao incerto
brotam-me de súbito
nos dizeres perdemo-nos
em ambíguos remendar."

Karoline S. Gomes

Um poema



"Serei velho quando o for, mais nada."
(Álvaro de Campos)

Escritores da Liberdade



O filme Escritores da Liberdade atenta a diversas questões relevantes a problemática em torno da educação. Nele podemos levantar conceitos importantes sobre as dificuldades no ensino, a falta de interesse dos alunos em aprender, a não aceitação e motivação de práticas inovadoras, salário baixo do professor e uma das questões mais intrigantes: até que ponto o professor é responsável pela formação do aluno? 
A personagem principal Erin, inicia sua atividade como professora cheia de expectativas, em uma escola modelo que estava fazendo parte do projeto de integração que abria espaço para alunos de diferentes etnias. No entanto, ao se deparar com uma turma bastante conturbada de adolescentes problemáticos e de gangues rivais a professora se vê obrigada a repensar o seu modo de ensinar, ou seja, elabora novos métodos de ensino, que eram considerados pela escola tradicionalista, ineficientes e irreais para esta e demais turmas com outras possíveis carências.
No decorrer do filme identificamos uma cena polêmica principalmente para os futuros professores. A professora Erin - um exemplo de profissional dedicado - planeja indicar a leitura de diferentes obras sobre momentos importantes da humanidade. Uma das obras é o livro "O Diário de Anne Frank", com o intuito de relacionar os fatos históricos com a realidade de cada um dos alunos, porém, a coordenadora da escola que desde o princípio tentava vetar e desmotivar todas as ações de Erin não liberou tais livros e pior indicou edições curtas e simplificadas, subestimando a capacidade dos alunos. Tal profissional só dificulta ainda mais a árdua missão de qualquer professor.
O filme possui várias cenas que realmente mostram a realidade cotidiana dos professores e alunos em sala de aula. Principalmente no item das diferenças étnicas, sociais, culturais, econômicas. A professora utiliza dessas diferenças para ressaltar que por mais diferentes que eles sejam, as semelhanças são maiores e de certa forma os une. Assim, eles podem lutar, descobrir o grande poder da tolerância para recuperar suas vidas conturbadas pelo preconceito e mudar seu mundo.
Há momentos que identificamos como humanamente impossível na trama do filme, pois Erin abdica totalmente de sua vida pessoal sem pensar nas consequências, ela simplesmente vive em função dos alunos. E não percebemos em nenhum momento o desgaste físico e emocional vivido por ela. A professora além de dar aulas mantém outros dois empregos e pelo que sabemos a profissão de um educador requer dedicação para elaborar planos de ensino que sejam executáveis, além de estudos de atualização, sem contar a vida pessoal que não pode ser deixada de lado ou prejudicada, o que nos parece irreal no filme. 
Atualmente há muita diversidade em sentido geral em uma mesma sala de aula, sem contar o grande número de alunos por sala. Nos indagamos: como o professor poderia aproveitar dessas diferenças para dar aulas produtivas e interessantes? A princípio, utilizaríamos o filme para sensibilização do tema SOU DIFERENTE E DAÍ? O método que escolheríamos seria o do ilustre Matthew Lipman a comunidade de investigação. Em círculo, haverá a problematização do filme, os alunos juntamente com o professor dialogariam sobre conceitos chaves sobre o tema. E por fim, os alunos em grupo fariam um texto (formal, poesia, quadrinhos, narrativos, etc) abordando o tema sobre suas próprias perspectivas. Que serão afixados pela escola para um maior envolvimento de toda comunidade escolar e quem sabe promover o surgimento de projetos maiores.

Juliana Oliveira Monteiro 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Qual a sua posição sobre o Amor?




Deslizes

Como podes marcar uma eternidade?
Fazer falar o mais fechado coração.
Um olhar que destrói com culpas - as promessas.
Não se iluda coração, que passa.

Como a luz te faz fiel no mundo,
procuras o que? No escuro...
Um descanso entre as pedras?
Não se iluda coração, que passa.

Como disfarças, com gestos vãos,
a justificável incapacidade do ser.
Um passo a minha direção, darás?
Não se iluda coração, que passa.

Como seus olhos verdes irrigam minha alma,
serenidade no ato descompassado.
Um só instante, me faz fiel.
Não se iluda coração, que passa.

Como procuras sensações - emoções temporárias,
passagem sem sabor, sem magoas?
Um sentimento único, que libera espaços.
Não se iluda coração, que passa.

Karoline Santos Gomes

De Tiziano a Marx: arte, trabalho – como transformação do mundo e ensino de filosofia



MITO DE SÍSIFO
Na mitologia grega, Sísifo (Σίσυφος) foi fundador e rei de Éfira (nome antigo de Corinto). Era filho de Eolo e Enarete e marido de Mérope e foi o pai de Odiseo. Também foi o pai, do deus marinho Glauco. Dizia-se que tinha fundado os Jogos Ístmicos em honra a Melicertes, cujo corpo tinha encontrado tendido na praia do Istmo de Corinto.
Foi promotor da navegação e do comércio, mas também avaro e mentiroso. Recorreu a meios ilícitos, entre os que se contava o assassinato de viajantes e caminhantes, para incrementar sua riqueza. Desde os tempos de Homero, Sísifo teve fama de ser o mais astuto dos homens. Quando Tánatos foi a lhe procurar, Sísifo lhe pôs grilletes, pelo que ninguém morreu até que Ares vinho, libertou Tánatos, e pôs Sísifo sob sua custodia.
Mas Sísifo ainda não tinha esgotado todos seus recursos: antes de morrer disse-lhe a sua esposa que quando ele se marchasse não oferecesse o sacrifício habitual aos mortos, de modo que no inferno se queixou de que sua esposa não estava a cumprir com seus deveres, e convenceu a Hades para que lhe permitisse voltar ao mundo superior e assim disuardi-la. Mas quando esteve de novo em Corinto, recusou voltar de forma alguma ao inframundo, até que ali foi devolvido à força por Hermes.
No inferno Sísifo foi obrigado a empurrar uma pedra enorme acima por uma ladeira empinada, mas antes que atingisse o cume da colina a pedra sempre rodava para abaixo, e Sísifo tinha que começar de novo desde o princípio (Odisea, xi. 593). O motivo deste castigo não é mencionado por Homero, e resulta escuro (alguns sugerem que é um castigo irônico de parte de Minos: Sísifo não queria morrer e nunca morrerá, mas terá que pagar um alto preço e não descansará em paz até o pagar). Segundo alguns, tinha revelado os desígnios dos deuses aos mortais. De acordo com outros, se deveu a seu hábito de atacar e assassinar viajantes. Também se diz ainda que após velho e cego seguiria com seu castigo. Este assunto foi um tópico freqüente dos escritores antigos, e foi também representado pelo pintor Tiziano, entre outros.

  • Tiziano ou Ticiano (Pieve dei Cadore, Belluno, 1477 - Veneza, 27 de agosto de 1576), foi um pintor italiano do Renascimento, um dos maiores expoentes da Escola veneziana.





RELAÇÃO ENTRE SÍSIFO E A QUESTÃO DO TRABALHO PARA MARX

Na analise da pintura de Sísifo de Tiziano e também do mito, ressaltamos o conceito de trabalho, pois que Sísifo fora obrigado a empurrar eternamente uma pedra morro acima, mesmo sabendo que mais cedo ou mais tarde a pedra iria novamente rolar para abaixo e que ele sem contestação deveria descer e empurrar mais uma vez a pedra.
Sísifo desenvolve um trabalho alienante, pois que ele serve de objeto e em conseqüência disso, acaba por se desumanizar, pois que o produto de seu trabalho não existe. O trabalho de Sísifo, portanto, é aplicável em todos os casos de labor infrutífero, isto quer dizer, trabalho em vão ou de esforços baldados inúteis, sem término e sem qualquer finalidade proveitosa.
Segundo Marx, o trabalho é uma atividade pela qual o homem transforma o mundo e a si próprio. Diferentemente dos animais que eram guiados pelos instintos naturais, o homem domina as forças da natureza, de acordo com sua necessidade e vontade, através do trabalho. Mas com o passar do tempo ele verificou que o trabalho assumiu características desumanas, porque os trabalhadores não se realizavam mais como pessoas em suas atividades profissionais.
O homem é sujeito de si mesmo e, da própria história e, portanto, não necessita de um deus acima dele. Para Marx, o homem se fabrica a si mesmo através de seu trabalho.
A filosofia marxista procura justamente se engajar na prática concreta de construção do ser humano. Por isso foi chamada de “filosofia da práxis”, que significa ação aliada à reflexão. Marx sempre se opôs à divisão entre o trabalho intelectual e o trabalho manual: enquanto alguns se dedicam exclusivamente aos estudos, os demais só “pegam no pesado”. Nosso filósofo queria que todos os tipos de trabalho fossem igualmente distribuídos entre os homens.

“Os filósofos não tem feito senão interpretar o mundo de diferentes maneiras: o que importa é transformá-lo.” (Marx)


Referências
- ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando – Introdução à Filosofia. ed. São Paulo: Editora Moderna, 1992. p. 55-68 e p. 324-333.
- GADOTTI, Moacir. Marx – transformar o mundo. ed. São Paulo: Editora FTD, 1989. p.39-73.

Comentário do capítulo seis do livro X da obra Ética a Nicômaco de Aristóteles


No capítulo seis do livro X da obra Ética a Nicômaco, Aristóteles analisa a natureza da felicidade julgando-a não como uma disposição, como se ela estivesse ao alcance do homem sem exigir dele qualquer esforço, mas sim como uma atividade que requer ações contínuas e virtuosas, uma vez que viver bem e conforme a virtude não é nada fácil, mas algo que deve ser conquistado.
Nesse sentido, a felicidade é classificada como uma atividade. No entanto o filósofo discrimina dois tipos de atividades, uma necessária e desejável com vista em outra coisa e outra desejável em si mesma. A felicidade está entre as atividades desejadas em si mesmas, porque a ela nada falta, ela é auto-suficiente, não se procura nada mais além dela. Também as ações virtuosas, nobres e boas participam desta natureza, pois são desejáveis em si.
Logo, as atividades exercidas à luz da virtude e da razão estão presentes na capacidade de todo o homem. Ele deve participar das atividades boas para participar mais da felicidade. Esta é imanente em sua vida, portanto, algo que pode ser conquistado por ele.
Dessa maneira, as boas atividades são identificadas com o agir conforme a virtude – viver de forma reflexiva e participativa. Tais características constam nas atividades do homem nobre, que participa constantemente dos assuntos da Polis como cidadão. Essa é diretriz para o bem viver e para as boas atitudes. Assim, as atividades que exigem esforço, pautadas na seriedade, são melhores e superiores do que as que tendem ao entretenimento, por exemplo. Então, uma vida virtuosa não consiste em divertir-se ou em esforçar-se com vistas às recreações agradáveis, pois elas não se identificam com a felicidade. O relaxamento, por exemplo, não é um fim; quando o escolhemos, escolhemo-lo com vista em outra coisa, o que não acontece com a felicidade que é um fim em si.
Pra Aristóteles a natureza da felicidade não pode ser identificada com a dessas outras atividades, pois qualquer pessoa, até um escravo, pode usufruir dos prazeres do corpo e não menos que o homem virtuoso. Visto que nunca se pode considerar um escravo partícipe da felicidade, por ele não gozar de tempo para participar das atividades de um cidadão e também por suas atividades serem privadas de virtude e razão.
Portanto, as atividades do homem nobre fazem parte da natureza da felicidade, por ele possuir uma vida prática e contemplar o saber das coisas. Suas atividades exigem esforço e não consistem em divertimentos, pois que as atividades sérias ao contrário das risíveis, ainda, participam mais da natureza da felicidade. A felicidade está, assim, nas atividades virtuosas.

Karoline Santos Gomes

terça-feira, 8 de maio de 2012

PIBID/Filosofia 2012 UFSJ

Novo ano, novos sonhos, novos bolsistas, ... com mais força do que nunca levando a Filosofia para as salas de aula!!!


terça-feira, 10 de abril de 2012

Educação & Filosofia na Idade Clássica

  "Educar-se é permanentemente esculpir-se."
(Plotino)
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        Analisar o processo educacional durante toda a história deve ser-lhe agregado um valor importantíssimo, pois é através desses estudos que podemos evitar problemas já enfrentados, articular as novas concepções com as já praticadas e criar o novo, que atenderá as mudanças que o mundo enfrenta com o passar do tempo.
Levando em consideração fatores importantes para a formação do cidadão/sociedade, do indivíduo e do crescimento tecnológico/natureza, podemos tentar promover comentários relevantes sobre nossa atualidade priorizando estes fatores essenciais com a educação na Idade Antiga de Atenas.
            Atenas era uma sociedade dividida em três partes, os eupátridas (grandes proprietários de terras), os georgóis (pequenos proprietários) e demiurgos (artesões especializados), além de um pequeno número de escravos. Destacamos a valorização que Atenas tinha para com a educação de seu povo, o que fez com que a cidade se transformasse no centro cultural e intelectual do Ocidente. É em Atenas que surge a filosofia e também a democracia, ou seja, a cidade foi o berço do nosso Mundo Ocidental.
            O processo educacional vigente em Atenas preconizava dois aspectos na formação do homem: a formação do homem de ação e a formação do homem de sabedoria. A educação ateniense tinha como objetivo principal à formação de indivíduos completos, ou seja, com o bom preparo físico, psicológico e cultural. Desta forma, a educação ateniense refletiu os anseios e valores desta sociedade.
            Podemos dizer que ela tinha a ambição de reunir num só corpo a beleza física e moral de um indivíduo. No entanto, esta educação se manteve como apenas um ideal para a maioria da população, pois que ela somente vingava para poucos, para a elite.
            Pairava um clima muito propício na cidade, pois que não havia local público na cidade de Atenas (ágora, ginásios, palestras, estádios ou teatro) onde não se encontrasse um mestre tentando atrair seus possíveis alunos.
            Hoje em dia percebemos que é exatamente o contrário que se desenrola em nossa sociedade no que tange ao processo educacional que empregamos. Desde criança os jovens vêem o estudar como um processo árduo, no qual ele deve parar tudo o mais para fazer algo que simplesmente não utilizará algo que ele de imediato, ou na maior parte das vezes nunca descobrirá o seu verdadeiro valor.
Justamente por isso, quando pensamos no estudar, logo relacionamos a sensações de desgaste, de cansaço e com isso você tende a ir deixando, adiando esse momento.
No entanto, quando nos dedicamos em um trabalho de estudo, quando já tentamos de tudo para evitar este momento e agora já não nos resta outra alternativa, nos debruçamos em nossas carteiras, nos livros, escrevemos, pensamos e... a satisfação, o prazer da conquista. São estes os sentimentos que a criação nos oferece. Os verdadeiros sentimentos que uma dedicação aos estudos deveriam nos remeter.
Em Atenas, a educação era vista como algo necessário e junto como algo que a todo instante promovia satisfação, como a elevação do homem. Através da educação que o homem era capaz de demonstrar o que realmente era, realização.
Não podemos negar os sentimentos de conquista gerados em nós quando chegamos ao fim de um estudo, ou mesmo quando encontramos uma surpresa no meio do caminho e este faz com que mudamos completamente a nossa direção, é impossível negar que o homem é pura atividade, ou seja, que ele se satisfaz com suas ações, e é através destas que o mundo se desenvolve e também permanece.
            Se encararmos o processo educacional inserido em nosso dia a dia, como algo que acontece naturalmente e que não precisa de pressões para acontecer, sem dúvidas todo o processo de desenvolvimento que estamos passando não promoverá nossa destruição como dizem, pelo contrário, todo ele surgirá com o intuito de conservação e de garantia. Neste ponto temos a educação como um fator de fundamental importância para o nosso desenvolvimento e é assim que ela deve ser encarada, como o primeiro passo.

Karoline Santos Gomes