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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Aulas de Filosofia: Ser humano - Trabalho, consumo e alienação

Olá! Aos poucos tenho feito meus planos de aula de Filosofia para o Ensino médio  e este trata do tópico Ser Humano - Trabalho, consumo e alienação. Espero que gostem!

Aula de Filosofia – Alienação
Professor(a): 
Conteúdo: Alienação – Trabalho alienado
Trabalho
A palavra trabalho vem do latim tripalium que é o nome de um instrumento feito de três paus para tortura. Existem duas acepções de trabalho, a primeira, positiva divulgada pelo filósofo alemão Hegel (1770), ele afirmava que somente pelo trabalho o ser humano consegue colocar suas potencialidades nos objetos por ele criados., ou seja, o trabalho poderia promover a realização da pessoa, a edificação da cultura e a solidariedade. A segunda acepção, se origina nas sociedades capitalistas. Para o filósofo Karl Marx (1818), o trabalho possui um papel negativo pois deixa de servir ao bem comum, sendo utilizado para o enriquecimento apenas de alguns.
Alienação
A palavra alienação vem do latim alienare, que significa “tornar algo alheio a alguém”, ou seja, “torna algo pertencente a outro”. Na concepção filosófica contemporânea quer dizer um processo pelo qual os atos de uma pessoa são influenciados por outros, em uma posição inferior e contrária a quem o influencia. Nesta acepção, a palavra deve seu uso ao filósofo Karl Marx.
Marx identificou dois momentos distintos de alienação, o primeiro consiste o da objetivação, que se refere à capacidade da pessoa se objetivar, ou seja, de se exteriorizar nos objetos e nas coisas que ele cria. O segundo momento é aquele em que o indivíduo principalmente no capitalismo, após transferir suas potencialidades aos seus produtos deixa de identifica-los como sua obra. Ou seja, os produtos não são pertencentes a quem os produziu, mas tornam-se “estranhos” a eles, tanto no plano econômico, como no psicológico e no social.
Na nossa sociedade o processo de alienação atinge múltiplos campos da vida humana, invadindo as relações das pessoas com o trabalho, lazer, consumo, seus semelhantes e consigo mesmo. Abaixo encontra-se especificado a alienação do trabalho.
Alienação do trabalho


Na nossa sociedade a produção econômica transformou-se no objetivo imposto às pessoas, quer dizer, não são as pessoas o objetivo da produção, mas a produção em si. Esse processo acentuou-se no século XIX quando o trabalho nas indústrias tornou-se rotineiro, automatizado e especializado, subdividido em múltiplas operações, pois se visava economizar tempo e aumentar a produtividade.
A forma de organização do trabalho em linhas de operação e montagem, aperfeiçoada posteriormente pelo economista Frederick Taylor, ficou conhecida como “taylorismo”, a sua consequência é que a fragmentação do trabalho conduz uma fragmentação do saber, uma vez que o trabalhador perde a noção de conjunto do processo produtivo.
Essa forma de organização do trabalho conduz ao trabalho alienado e ainda pode ser observado em muitas indústrias, onde o operário é restringido ao cumprimento de ordens relativas a qualidade e quantidades da produção. O trabalhador não pode decidir sobre o resultado final, repete sempre as mesmas operações mecânicas produz bens estranhos a sua pessoa, aos seus desejos e as suas necessidades.
O trabalhador é submetido a um sistema que comumente não lhe permite desfrutar financeiramente de sua própria atividade. Dessa forma, a meta é produzir para satisfazer as necessidades do mercado não propriamente à do trabalhador. Fabricam-se para uma elite econômica enquanto o trabalhador mantém-se miseravelmente.
O trabalho alienado costuma ser marcado pelo desprazer, pela exploração e embrutecimento do trabalhador. Em Manuscrito econômico-filosóficos, Marx descreve este processo:
Primeiramente, o trabalho alienado se apresenta como algo externo ao trabalhador, algo que não faz parte de sua personalidade. Assim, o trabalhador não se realiza em seu trabalho, mas nega-se a si mesmo. Permanece no local de trabalho com uma sensação de sofrimento em vez de bem estar, com um sentimento de bloqueio de suas energias físicas e mentais que provoca cansaço físico e depressão. Nessa situação, o trabalhador só se sente feliz em seus dias de folga enquanto no trabalhado permanece aborrecido. Seu trabalho não é voluntario, mas imposto e forçado.
O caráter alienado desse trabalho é facilmente atestado pelo fato de ser evitado como uma praga; só é realizado à base de imposição. Afinal, o trabalho alienado é um trabalho de sacrifício, de mortificação. È um trabalho que não pertence ao trabalhador, mas sim à outra pessoa que dirige a produção. (MARX, 1989, p. 23).
Na alienação o ser humano perde sua individualidade, transforma-se em mercadoria, sente-se como uma “coisa”, que só alcançará sucesso no “mercado das personalidades” (COTRIM, 2010, p. 147)! Cada pessoa vê a outra segundo critérios e valores definidos por esse mercado.

REFERÊNCIAS:
COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos de Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2010.
MARX, Karl. Manuscritos econômico-filosóficos. Lisboa: Edições 70, 1989.

Aula de Filosofia – Alienação 2
Professor(a): 
Conteúdo: Consumo e Lazer Alienado


Celular, computador, TV + sorvete, pipoca, chocolate e refrigerante, quem não gosta? Você já se perguntou de onde vem as coisas que compramos e pra onde vão quando nos desfazemos dela? Observe o esquema abaixo:

(Matéria-prima)                (poluição)                     (Distribuição)              (Consumo)        (tratamento?)
NATUREZA ------------ FÁBRICAS ------------- COMÉRCIO ------------ CASAS --------------- LIXO
(Extração)                        (Produção) 

Em primeiro lugar, neste sistema parece que está tudo bem, sem problemas. Mas na verdade é um sistema em crise, porque trata-se de um sistema linear e nós vivemos num planeta finito, sendo assim, devemos investigar mais atentamente.
Como podemos definir o termo consumo? Consumir significa utilizar, dar fim a algo, para alcançar determinado objetivo. Então, consumir é participar de um patrimônio construído pela sociedade. Assim, além de atender às necessidades individuais, o consumo expressaria também a forma pela qual o indivíduo está integrado à sociedade. O consumidor alienado age como se a felicidade consistisse, apenas, numa questão de poder sobre as coisas, ignorando o prazer obtido com aquilo que verdadeiramente ama. O consumo deixa de ser um meio de expressão do prazer pessoal e se transforma num fim em si mesmo. Torna-se um ato obsessivo alimentado pelo apetite de novidade e distinção social.
“Quanto mais intensa é a preocupação do indivíduo com o poder sobre as coisas, mais as coisas o dominarão, mais lhe faltarão traços individuais genuínos.” Max Horkheimer (1885)

O lazer alienado



A indústria cultural e de diversão vende peças de teatro, filmes, livros, shows, jornais e revistas como qualquer outra mercadoria. E o consumidor alienado compra seu lazer da mesma maneira como compra seu sabonete. Consome os “filmes da moda” e frequenta os “lugares badalados” sem um envolvimento autêntico com o que faz.

EXERCÍCIOS

1. O que você entendeu sobre este trecho do poema “Eu, etiqueta”, de Carlos Drummond de Andrade:
Estou, estou na moda
É doce estar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.

2. ”O trabalho dignifica o homem” X “O trabalho escraviza o homem”. Interprete essa contradição.

3. Que papel tem a propaganda no processo de alienação?

4. Considerando os exemplos da sua vida cotidiana, explique como o processo de alienação afeta o indivíduo:
a) em sua relação consigo mesmo;
b) em sua forma de consumir;
c) em seu jeito de descansar e se entreter;
d) em sua maneira de relacionar com outras pessoas.

*Você poderá passar este tópico para seus alunos da forma que achar melhor, eu sempre trabalho citações, trechos de textos filosóficos, vídeos e e imagens.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Aulas de Filosofia: Estética - Atividade com o texto de David Hume

“É DEMASIADO óbvia para deixar de ser notada por todos a extrema variedade de gostos que há no mundo, assim como por todos as opiniões. Mesmo os homens de parcos conhecimentos são capazes de notar as diferenças de gosto dentro do estreito círculo de suas relações , inclusive  entre pessoas que foram educadas sob o mesmo governo e em quem desde cedo foram inculcados os mesmos preconceitos”.[...]  “ A  beleza não é  uma qualidade das próprias coisas, existe apenas no espírito que contempla, e cada espírito percebe uma beleza diferente.É  possível até uma pessoa encontrar deformidade onde uma outra vê apenas beleza, e todo indivíduo deve aquiescer a seu próprio sentimento, sem ter a pretensão de regular o dos outros. Procurar estabelecer uma beleza real, ou uma deformidade real, é uma investigação tão infrutífera como procurar uma doçura real ou amargo real”.[...] “ Portanto, podemos aqui aplicar as regras gerais da beleza, pois elas são tiradas de modelos estabelecidos e da observação do que agrada ou desagrada, quando apresentado isoladamente e em alto grau.Se as mesmas qualidades, numa composição contínua e em menor grau, não afetam os órgãos com um sensível deleite ou desagrado, excluímos, a pessoa de toda pretensão a esta delicadeza”.    

FLORIDO, Janice (Coord). Hume. Nova Cultural: São Paulo, 1999. Coleção Os pensadores.

EXERCÍCIOS
1. Qual o tema do texto?

2. Escreva com suas palavras o que você entendeu do texto.

3. Segundo David Hume, é possível estabelecer um padrão universal de beleza? Por que?

Aulas de Filosofia: Estética - Atividade com o texto Eco e Narciso

ATIVIDADE FILOSÓFICA

Leia com atenção o texto abaixo e depois responda às questões:



ECO e NARCISO



Eco era o nome de uma ninfa muito tagarela, que conversava muito e sem pensar. Não conseguia ouvir em silêncio quando alguém estava falando. Sempre se intrometia e interrompia, nem que fosse para concordar e repetir o que o outro dizia. Um dia, fez isso com a ciumenta deusa Juno, quando ela andava pelos bosques furiosa, procurando o marido Júpiter, que brincava com as ninfas. A tagarelice de Eco atrasou a poderosa Juno, que resolveu:
- De agora em diante, sua língua só vai servir para o mínimo possível.
E a partir desse dia, a coitada da Eco só podia mesmo repetir as últimas palavras do que alguém dissesse. [...]
Por isso, algum tempo depois, quando ela viu um rapaz belíssimo e se apaixonou por ele, tratou de ir atrás sem dizer nada, em silêncio. Esse rapaz se chamava Narciso e dizem que foi o homem mais bonito e deslumbrante que já existiu. Todo mundo se enamorava dele, que nem ligava.
Eco ficou louca por Narciso e o seguia por toda parte. Bem que tinha vontade de se aproximar e confessar seu amor, mas não tinha mais sua própria fala... [...] Só lhe restava ficar escondida, por perto, esperando que ele dissesse alguma coisa que ela pudesse repetir.
Um dia, o belo Narciso estava passeando no bosque com uns amigos, mas se perdeu do grupo e não conseguiu encontrá-los. Começou a chamar:
- Tem alguém aqui?
Era a chance da ninfa! E ela logo respondeu, ainda escondida:
- Aqui! Aqui!
Espantado, Narciso olhou em volta e não viu ninguém. Chamou:
- Vem cá!
Ela repetiu:
- Vem cá! Vem cá!
[...]
O rapaz não desistiu:
- Vamos nos encontrar...
Toda feliz, Eco saiu do meio das árvores e correu para abraçá-lo repetindo:
- Vamos nos encontrar...
Mas ele fugiu dela, gritando:
- Pare com isso! Prefiro morrer a deixar que você me toque!
A pobre Eco só podia repetir:
- Que você me toque... que você me toque...
E saiu correndo, triste e envergonhada, para se esconder no fundo de uma caverna. Sofreu tanto com essa dor de amor, que foi emagrecendo, definhando, até perder o corpo, desaparecer por completo e ficar reduzida apenas a uma voz, repetindo as palavras dos outros – isso que nós chamamos de eco.
Narciso continuou sua vida, sempre da mesma maneira. Sem ligar para ninguém, nunca se importando com os outros, brincando com o sentimento alheio. Até que alguém, que ele fez sofrer muito, rezou para Nêmesis, a deusa do Destino, e pediu:
- Que ele possa amar alguém tanto como nós o amamos! E que também seja impossível que ele conquiste seu amor!
Nêmesis ouviu essa oração. Achou que era justa e resolveu atender ao pedido.
Havia no fundo do bosque um laguinho de águas cristalinas e tranquilas, onde nunca vinha um animal beber água e não caíam folhas ou galhos secos – um verdadeiro espelho. Era cercado por uma grama verdinha e macia, e muito fresco. Um lugar gostosíssimo. Um dia, no meio de uma caçada, Narciso passou por ali. Com sede resolveu tomar um pouco d´água. Deitando na margem, com a cabeça debruçada sobre o lago, ficou encantado pelo belíssimo reflexo que via. Nunca tinha se visto num espelho e não sabia que era a sua própria imagem. Mas imediatamente se apaixonou, maravilhado por tanta beleza. Ficou ali parado, contemplando aquele rosto mais bonito do que jamais vira. [...]
Os amigos apareceram para procurá-lo, mas ele não deu atenção. Chamaram-no para ir embora, mas ele ficou. Olhando o reflexo no lago. [...]
Muito tempo Narciso ficou ali, sem comer nem dormir, admirando aquele ser por quem estava tão apaixonado. Chorou – e suas lágrimas caíram sobre a imagem, que chorava com ele, e ficou turva.
- Ai de mim! – gemia ele.
A única resposta que tinha era de Eco, sempre escondida:
- Ai de mim!
Desinteressado de tudo, cada vez mais fascinado por si mesmo, foi definhando. Ao perceber que ia morrer, suspirou:
- Adeus!
Fechou os olhos, deixou cair a cabeça sobre a grama. Na água, o rosto sumiu. Só Eco respondeu:
- Adeus!
Mais tarde, os amigos voltaram. Mas já o encontraram morto. Prepararam tudo para o funeral, mas, quando vieram pegar o corpo, não estava mais lá. Em seu lugar nascera uma flor perfumada e linda, com uma estrela de pétalas brancas em volta de um miolo amarelo. Para sempre chamada de narciso.

Mito de Narciso. Disponível em: Acesso em: 19 março. 2013.

EXERCÍCIOS


1) Os mitos tinham como objetivo explicar algum fenômeno natural. No caso da história de Eco e Narciso isso ocorre? Explique.



2) Levante cinco questões que vocês acreditam serem importantes sobre o mito.



3) O mito de Narciso tornou-se tão conhecido que até hoje se usa o adjetivo narcisista. Lembrando-se da história, explique o que esse adjetivo quer dizer.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

O Mito Da Caverna por O mundo de Sofia

O Mito Da Caverna

O mito da caverna ou alegoria foi narrado pela primeira vez por Sócrates no Livro VII da República e Platão conta este mito mais ou menos assim:

DEIXANDO PARA TRÁS AS TREVAS DA CAVERNA
Platão nos conta uma parábola que ilustra bem esta reflexão. Nós a conhecemos por alegoria da caverna. Vou contá-la com minhas próprias palavras.
Imagine um grupo de pessoas q...ue habitam o interior de uma caverna subterrânea. Elas estão de costas para a entrada da caverna e acorrentadas no pescoço e nos pés, de sorte que tudo o que veem é a parede da caverna. Atrás delas ergue-se um muro alto e por trás desse muro passam figuras de formas humanas sustentando outras figuras que se elevam para além da borda do muro. Como há uma fogueira queimando atrás dessas figuras, elas projetam sombras bruxuleantes na parede da caverna. Assim, a única coisa que as pessoas da caverna podem ver é este “teatro de sombras”. E como essas pessoas estão ali desde que nasceram, elas acham que as sombras que veem são a única coisa que existe.
Imagine agora que um desses habitantes da caverna consiga se libertar daquela prisão. Primeiramente ele se pergunta de onde vêm aquelas sombras projetadas na parede da caverna. Depois consegue se libertar dos grilhões que o prendem. O que você acha que acontece quando ele se vira para as figuras que se elevam para além da borda do muro? Primeiro, a luz é tão intensa que ele não consegue enxergar nada. Depois, a precisão dos contornos das figuras, de que ele até então só vira as sombras, ofusca a sua visão. Se ele conseguir escalar o muro e passar pelo fogo para poder sair da caverna, terá mais dificuldade ainda para enxergar devido à abundância de luz. Mas depois de esfregar os olhos, ele verá como tudo é bonito. Pela primeira vez verá cores e contornos precisos; verá animais e flores de verdade, de que as figuras na parede da caverna não passavam de imitações baratas. Suponhamos, então, que ele comece a se perguntar de onde vêm os animais e as flores. Ele vê o Sol brilhando no céu e entende que o Sol dá vida às flores e aos animais da natureza, assim como também era graças ao fogo da caverna que ele podia ver as sombras refletidas na parede.
Agora, o feliz habitante das cavernas pode andar livremente pela natureza, desfrutando da liberdade que acabara de conquistar. Mas as outras pessoas que ainda continuam lá dentro da caverna não lhe saem da cabeça. E por isso ele decide voltar. Assim que chega lá, ele tenta explicar aos outros que as sombras na parede não passam de trêmulas imitações da realidade. Mas ninguém acredita nele. As pessoas apontam para a parede da caverna e dizem que aquilo que veem é tudo o que existe. Por fim, acabam matando-o.
O que Platão nos mostra com esta alegoria da caverna é o caminho que o filósofo percorre das noções imprecisas para as ideias reais que estão por trás dos fenômenos da natureza. Na certa Platão também estava pensando em Sócrates, que tinha sido morto pelos “habitantes da caverna” por ter colocado em dúvida as noções a que eles estavam habituados e por querer lhes mostrar o caminho do verdadeiro conhecimento. Desta forma, a alegoria da caverna é uma imagem da coragem e da responsabilidade pedagógica do filósofo.

Extraído do livro, O mundo de Sofia, de Jostein Gaarder – Capítulo 9 – Platão – Deixando para trás as trevas da caverna.

sábado, 29 de março de 2014

Texto "Dinheiro" de Karl Marx

Texto utilizado em uma das aulas de Filosofia sobre Consumo Alienado
(Ser Humano - Técnica, trabalho, alienação. - Temas complementares)


DINHEIRO

O que é pra mim pelo dinheiro, o que eu posso pagar, isto é, o que o dinheiro pode comprar isso sou eu, o possuidor do próprio dinheiro. Tão grande quanto a força do dinheiro é a minha força. As qualidades do dinheiro são minhas – [de] seu possuidor – qualidades e forças essenciais. O que eu sou e consigo não é determinado de modo algum, portanto, pela minha individualidade. Sou feio, mas posso comprar para mim a mais bela mulher. Portanto, não sou feio, pois o efeito da fealdade, sua força repelente, é anulado pelo dinheiro. Eu sou – segundo minha individualidade – coxo, mas o dinheiro me proporciona vinte e quatro pés; não sou, portanto coxo; sou um ser humano mau, sem honra, sem escrúpulos, sem espírito, mas o dinheiro é honrado e, portanto, também o seu possuidor. O dinheiro é o bem supremo, logo, é bom também o seu possuidor, o dinheiro me isenta do trabalho de ser desonesto, sou, portanto, presumido honesto; sou tedioso, mas o dinheiro é o espírito real de todas as coisas, como poderia seu possuidor ser tedioso? Além disso, ele pode comprar para si as pessoas ricas de espírito, e quem tem o poder sobre os ricos de espírito não é ele mais rico de espírito do que o rico de espírito? Eu, que por intermédio do dinheiro consigo tudo o que o coração humano deseja, não possuo, eu, todas as capacidades humanas? Meu dinheiro não transforma, portanto, todas as minhas incapacidades (Unvermögen) no seu contrário?

Se o dinheiro é o vínculo que me liga à vida humana, que liga a sociedade a mim, que me liga à natureza e ao homem, não é o dinheiro o vínculo de todos os vínculos? Não pode ele atar e desatar todos os laços? Não é ele, por isso, também o meio de universalização e separação? Ele é a verdadeira // moeda divisionária (Scheidemünze), bem como o verdadeiro meio de união, a força galvano-química (galvanochemische) da sociedade.

REFERÊNCIA: MARX, Karl; Tradução: Jesus Ranieri. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo editorial, 2004.

Alegoria da Caverna


Texto: A alegoria da caverna – A República (Livro VII)



Sócrates: Agora imagine a nossa natureza, segundo o grau de educação que ela recebeu ou não, de acordo com o quadro que vou fazer. Imagine, pois, homens que vivem em uma morada subterrânea em forma de caverna. A entrada se abre para a luz em toda a largura da fachada. Os homens estão no interior desde a infância, acorrentados pelas pernas e pelo pescoço, de modo que não podem mudar de lugar nem voltar a cabeça para ver algo que não esteja diante deles. A luz lhes vem de um fogo que queima por trás deles, ao longe, no alto. Entre os prisioneiros e o fogo, há um caminho que sobe. Imagine que esse caminho é cortado por um pequeno muro, semelhante ao tapume que os exibidores de marionetes dispõem entre eles e o público, acima do qual manobram as marionetes e apresentam o espetáculo.

Glauco: Entendo

Sócrates: Então, ao longo desse pequeno muro, imagine homens que carregam todo o tipo de objetos fabricados, ultrapassando a altura do muro; estátuas de homens, figuras de animais, de pedra, madeira ou qualquer outro material. Provavelmente, entre os carregadores que desfilam ao longo do muro, alguns falam, outros se calam.

Glauco: Estranha descrição e estranhos prisioneiros!

Sócrates: Eles são semelhantes a nós. Primeiro, você pensa que, na situação deles, eles tenham visto algo mais do que as sombras de si mesmos e dos vizinhos que o fogo projeta na parede da caverna à sua frente?

Glauco: Como isso seria possível, se durante toda a vida eles estão condenados a ficar com a cabeça imóvel?

Sócrates: Não acontece o mesmo com os objetos que desfilam?

Glauco: É claro.

Sócrates: Então, se eles pudessem conversar, não acha que, nomeando as sombras que vêem, pensariam nomear seres reais?

Glauco: Evidentemente.

Sócrates: E se, além disso, houvesse um eco vindo da parede diante deles, quando um dos que passam ao longo do pequeno muro falasse, não acha que eles tomariam essa voz pela da sombra que desfila à sua frente?

Glauco: Sim, por Zeus.

Sócrates: Assim sendo, os homens que estão nessas condições não poderiam considerar nada como verdadeiro, a não ser as sombras dos objetos fabricados.

Glauco: Não poderia ser de outra forma.

Sócrates: Veja agora o que aconteceria se eles fossem libertados de suas correntes e curados de sua desrazão. Tudo não aconteceria naturalmente como vou dizer? Se um desses homens fosse solto, forçado subitamente a levantar-se, a virar a cabeça, a andar, a olhar para o lado da luz, todos esses movimentos o fariam sofrer; ele ficaria ofuscado e não poderia distinguir os objetos, dos quais via apenas as sombras anteriormente. Na sua opinião, o que ele poderia responder se lhe dissessem que, antes, ele só via coisas sem consistência, que agora ele está mais perto da realidade, voltado para objetos mais reais, e que está vendo melhor? O que ele responderia se lhe designassem cada um dos objetos que desfilam, obrigando-o com perguntas, a dizer o que são? Não acha que ele ficaria embaraçado e que as sombras que ele via antes lhe pareceriam mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?

Glauco: Certamente, elas lhe pareceriam mais verdadeiras.

Sócrates: E se o forçassem a olhar para a própria luz, não achas que os olhos lhe doeriam, que ele viraria as costas e voltaria para as coisas que pode olhar e que as consideraria verdadeiramente mais nítidas do que as coisas que lhe mostram?

Glauco: Sem dúvida alguma.

Sócrates: E se o tirarem de lá à força, se o fizessem subir o íngreme caminho montanhoso, se não o largassem até arrastá-lo para a luz do sol, ele não sofreria e se irritaria ao ser assim empurrado para fora? E, chegando à luz, com os olhos ofuscados pelo brilho, não seria capaz de ver nenhum desses objetos, que nós afirmamos agora serem verdadeiros.

Glauco: Ele não poderá vê-los, pelo menos nos primeiros momentos.

Sócrates: É preciso que ele se habitue, para que possa ver as coisas do alto. Primeiro, ele distinguirá mais facilmente as sombras, depois, as imagens dos homens e dos outros objetos refletidas na água, depois os próprios objetos. Em segundo lugar, durante a noite, ele poderá contemplar as constelações e o próprio céu, e voltar o olhar para a luz dos astros e da lua mais facilmente que durante o dia para o sol e para a luz do sol.

Glauco: Sem dúvida.

Sócrates: Finalmente, ele poderá contemplar o sol, não o seu reflexo nas águas ou em outra superfície lisa, mas o próprio sol, no lugar do sol, o sol tal como é.

Glauco: Certamente.

Sócrates: Depois disso, poderá raciocinar a respeito do sol, concluir que é ele que produz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível, e que é, de algum modo a causa de tudo o que ele e seus companheiros viam na caverna.

Glauco: É indubitável que ele chegará a essa conclusão.

Sócrates: Nesse momento, se ele se lembrar de sua primeira morada, da ciência que ali se possuía e de seus antigos companheiros, não acha que ficaria feliz com a mudança e teria pena deles?

Glauco: Claro que sim.

Sócrates: Quanto às honras e louvores que eles se atribuíam mutuamente outrora, quanto às recompensas concedidas àquele que fosse dotado de uma visão mais aguda para discernir a passagem das sombras na parede e de uma memória mais fiel para se lembrar com exatidão daquelas que precedem certas outras ou que lhes sucedem, as que vêm juntas, e que, por isso mesmo, era o mais hábil para conjeturar a que viria depois, acha que nosso homem teria inveja dele, que as honras e a confiança assim adquiridas entre os companheiros lhe dariam inveja? Ele não pensaria antes, como o herói de Homero, que mais vale "viver como escravo de um lavrador" e suportar qualquer provação do que voltar à visão ilusória da caverna e viver como se vive lá?

Glauco: Concordo com você. Ele aceitaria qualquer provação para não viver como se vive lá.

Sócrates: Reflita ainda nisto: suponha que esse homem volte à caverna e retome o seu antigo lugar. Desta vez, não seria pelas trevas que ele teria os olhos ofuscados, ao vir diretamente do sol?

Glauco: Naturalmente.

Sócrates: E se ele tivesse que emitir de novo um juízo sobre as sombras e entrar em competição com os prisioneiros que continuaram acorrentados, enquanto sua vista ainda está confusa, seus olhos ainda não se recompuseram, enquanto lhe deram um tempo curto demais para acostumar-se com a escuridão, ele não ficaria ridículo? Os prisioneiros não diriam que, depois de ter ido até o alto, voltou com a vista perdida, que não vale mesmo a pena subir até lá? E se alguém tentasse retirar os seus laços, fazê-los subir, você acredita que, se pudessem agarrá-lo e executá-lo, não o matariam?

Glauco: Sem dúvida alguma, eles o matariam.

Sócrates: E agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar exatamente essa alegoria ao que dissemos anteriormente. Devemos assimilar o mundo que apreendemos pela vista à estada na prisão, a luz do fogo que ilumina a caverna à ação do sol. Quanto à subida e à contemplação do que há no alto, considera que se trata da ascensão da alma até o lugar inteligível, e não te enganarás sobre minha esperança, já que desejas conhecê-la. Deus sabe se há alguma possibilidade de que ela seja fundada sobre a verdade. Em todo o caso eis o que me aparece tal como me aparece; nos últimos limites do mundo inteligível aparece-me a idéia do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem concluir que ela é a causa de tudo o que há de reto e de belo. No mundo visível, ela gera a luz e o senhor da luz, no mundo inteligível ela própria é a soberana que dispensa a verdade e a inteligência. Acrescento que é preciso vê-la se quer comportar-se com sabedoria, seja na vida privada, seja na vida pública.

Glauco: Tanto quanto sou capaz de compreender-te, concordo contigo.

Sombras da Vida com Piteco

Quadrinhos ótimos para introduzir questões sobre a Alegoria da Caverna no ensino médio.







quarta-feira, 10 de abril de 2013

Documentário La educación prohibida



Caro amigo futuro professor,

Gostaria de lhe recomendar um ótimo documentário que acabei de assistir e é tão fácil encontrá-lo na internet com o seguinte nome: La educación prohibida, ele foi produzido por jovens argentinos e lançado em 2012.
À medida em que assistia ao vídeo pensava o quanto ele seria produtivo e importante para você, meu amigo! Pois, trata-se de vários depoimentos de pessoas envolvidas com toda a problemática acerca do processo educativo e como você está se preparando para futuramente se tornar um educador, este irá contribuir para sua formação e também para a construção de uma visão geral de como se dá o ensino nas escolas, o que é também foi uma das propostas do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) ao fazer com que seus bolsistas (futuros professores) ainda graduandos de uma licenciatura entrassem em contato com a rotina das escolas.
Várias são as questões abordadas pelo documentário e que merecem destaque, no entanto, primeiramente o que mais me chamou a atenção e penso que também chamaria a sua, pois já nos debruçamos muito sobre esta questão se refere as críticas feitas às práticas educativas tradicionais que prevalecem ainda nos nossos dias e regem o andamento do currículo das escolas brasileiras, apesar delas não serem mencionadas no documentário.
Após ter assistido ao documentário não pude deixar de perceber algumas outras semelhanças entre ele e alguns casos que presenciei no PIBID enquanto cursava minha licenciatura. Irei comentar algumas questões em comum entre ambos, pois sei que será de grande importância para você assim como foi para mim.
Várias são as cenas que mostram a falta de interesse dos jovens pelo estudo, pois estes não conseguem ver nenhum sentido em apenas repetir o que está nos livros didáticos ou o que o professor “fala” em sala de aula. Será que na verdade o professor não “ensina”, mas somente se preocupa em transmitir informações?
No vídeo fica claro que as escolas não procuram desenvolver as habilidades e a autonomia dos seus estudantes, o que ela preza são os conteúdos, que não podem ser deixados nunca de lado e as notas de seus “exames” obrigatórios. Neste ponto, as escolas não avaliam os estudantes pelo que eles são, levando em conta seu estado emocional e muito menos seus interesses. Ou seja, os estudantes em todos os momentos de sua vida escolar são levados a buscar algo que eles não desejam, ou melhor, que eles muitas vezes nem sabe o que é. As ditas avaliações são somente uma forma de satisfazer nossa sociedade que classifica e rotula as pessoas como se fossem apenas simples objetos, Então, em uma escola encontramos aquele estudante EXCELENTE, um outro BOM e o pobre coitado que se frustrará a vida toda, o RUIM.
Todas estas questões eu pude observar enquanto bolsista do PIBID, então constatei que apesar de o documentário ser argentino e não citar nenhum caso brasileiro, todos, eu digo todos os casos e questões abordadas por ele são tipicamente brasileiros, ou seja, estes problemas são nossos.
Percebi também que os professores muitas vezes encontram-se presos aos currículos de sua disciplina e por isso eles não são capazes assim como o estudante de conquistar sua autonomia e muito menos de priorizar ou mesmo de buscar uma relação saudável com seus alunos. A questão da falta de tempo com que o professor lida, também contribui para agravar ainda mais esta questão.
O documentário além de tratar das dificuldades reais vividas nas escolas por seus personagens, ele propõe novas propostas pedagógicas que em sua maioria não são novidades, pois vários estudos e discussões apontam este caminho como uma solução para nossa educação. Muito se discuti que o educador deve repensar sua atuação a cada momento e que o objetivo principal de sua carreira é atingir, ou seja, fazer com que seu aluno se interesse pelo estudo, crie vínculos e busque conhecimento.
Todas as propostas feitas pelo documentário também são necessidades da educação brasileira, elas estavam presentes em todos os estudos que fiz no PIBID, em todas as reuniões do grupo, era visível no olhar de cada estudante das turmas do ensino médio de duas escolas públicas que acompanhei a dúvida e o sofrimento, a primeira por não entender o porquê de estar ali e a segunda por não possuir nenhum tipo de garantia e não conhecer a si próprio.
Para tanto, sempre buscar se atualizar, pensar em sua prática no dia a dia, consequentemente em suas formas de avaliar, sua relação com os estudantes e em verdadeiros objetivos como professor já é um bom começo, que tal?
Querido amigo, eu tenho pensado muito sobre esta profissão que escolhi, suas dificuldades, seus pontos fracos e principalmente nas possibilidades que temos de mudar a situação atual é que têm atraído minha atenção, e isso tem me feito muito bem, nunca antes fui tão bem sucedido em minhas atividades, falo isso pois tenho percebido que quando faço o meu melhor por aquilo que escolhi os meus frutos são reconhecidos em minha rotina em sala de aula. Esta sensação de satisfação, de serviço cumprido me engrandece é como se eu fosse capaz de realizar tudo que quisesse.
Vou finalizando minha carta por aqui e espero que ela seja de grande valia para sua formação e seu futuro. Não vejo a hora de receber sua resposta! Um grande abraço.

Karoline Santos Gomes
Margareth Aparecida da Silva
(Trabalho avaliativo para a disciplina Oficina de Filosofia II entregue 09/04/2013)

domingo, 7 de outubro de 2012

Nosso Artigo do Rousseau foi publicado no site PIBID Filosofia UFSJ

Pessoal, acabei de ver que o nosso artigo O caráter individual do homem e sua realização na sociedade através da educação segundo Rousseau, foi publicado no site do PIBID Filosofia! 

Confiram no link:
http://www.pibid.ufsj.edu.br/filosofia/enviados/artigo_rousseau_educacao.pdf

Comentário filosófico do filme Preciosa - Uma história de esperança

Curtam o meu comentário filosófico do filme Preciosa - Uma história de esperança publicado no site do PIBID Filosofia da Universidade Federal de São João del-Rei! Lá também está disponível a sinopse do filme e outros tantos comentários de filmes discutidos pelos estudantes e "adeptos" do ensino de filosofia.

Desde já, Obrigada.

Karoline S. Gomes

Link do comentário do filme Preciosa - Uma história de esperança
http://www.pibid.ufsj.edu.br/filosofia/enviados/karoline_comentario_preciosa_uma_historia_de_esperanca.pdf

Link do site PIBID Filosofia UFSJ
http://www.pibid.ufsj.edu.br/ver_projeto.php?secao=ver_conteudo&id_conteudo=138&id_projeto=14

sábado, 4 de agosto de 2012

Pro Dia Nascer Feliz - Documentário




Comentário do Documentário “Pro dia nascer feliz” de João Jardim

            O documentário “Pro dia nascer feliz” lançado no ano de 2006 foi recebido pelo público de educadores e afins com aclamada repercussão e trouxe discussões polêmicas acerca de problemáticas, tais como: A importância de se acompanhar e conhecer cada aluno, o papel da família na educação, a carga física e emocional abalada do professor devido a falta de valorização, etc.
            Estes são apenas alguns dos principais pontos levantados em uma discussão feita pelos bolsistas do PIBID/Filosofia da UFSJ após a exibição do documentário. A questão sobre a importância de o professor procurar conhecer e saber das dificuldades enfrentadas no dia a dia de cada aluno foi bastante enfatizada pelo diretor João Jardim. Em uma cena na escola de Duque de Caxias - apesar de se tratar de uma das escolas mais problemática e carente das que foram retratadas os professores mostraram estar um pouco atentos a este respeito promovendo outros tipos de atividades com os alunos e também durante o conselho de classe quando não reprovam um estudante por se tratar de um garoto com sérios problemas familiares.
               É a partir dessa relação entre professor e aluno que tanto um como outro buscam soluções e tentam resolver os impasses dessa rotina, o que nos remete a uma outra questão também levantada: os alunos veem a escola como um martírio que são obrigados a enfrentar, para a maioria, ir a escola não tem sentido, ou melhor utilidade. É exatamente neste ponto que o professor deve atuar, pois ele saberá dessa carência de sentido e fará o melhor para conquistar o estudante.
            No entanto, o professor não deve ser considerado o único responsável por tentar promover a aproximação saudável do jovem e a escola, a família possui um papel importantíssimo, o que já é praxe em toda discussão. Observamos na maioria dos exemplos apontados no documentário que as dificuldades maiores, que os casos extremos tem como fundo uma família desestruturada e que possuem a mesma visão de educação que seus filhos, como uma “obrigação sem sentido”, além de contarem com várias outras carências (econômica, saúde, psicológica, etc).
            Uma saída simples para esse problema seria estimular o processo de aprendizagem na criança desde muito cedo, para isso a família faria o papel principal e é exatamente este o ponto chave e mais difícil de se resolver, como levar educação, trabalho, saúde, justiça, equilíbrio, etc para as nossas famílias brasileiras sem que isso seja considerado uma apenas uma obrigação?
            Observamos também que a tarefa do professor é uma tarefa bem mais complexa do que imaginamos e que exige muito do profissional e este não é valorizado. O professor enfrenta “salas” de aula abarrotadas de alunos vindos de várias localidades com culturas e crenças bem diferentes uma da outra e com famílias que enfrentam muitos outros problemas. Muitas vezes o professor tem que trabalhar em mais de uma escola, pois o seu salário é muito baixo, em casa elabora aulas, pesquisa, corrigi muitas provas e trabalhos, tem conhecer e se dedicar aos alunos (todos) e ainda o professor também tem uma família da qual deve zelar. Como fazer do professor um profissional satisfeito e que exerça sua profissão com qualidade? Quem sabe se ao menos seu salário fosse melhor e se ele pudesse contar com outras contribuições (saúde, alimentação, transporte, etc) todos poderiam começar seu dia muito mais feliz e motivados para poder também transformar uma realidade.

Karoline Santos Gomes

Sinopse e mais dados sobre o documentário acesse a página:
                       
            

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Filme Tempo de despertar (Awakenings)

Título original:Awakenings
Gênero:Drama
Duração:2 hr 1 min
Ano de lançamento: 1990
Estúdio: Columbia Pictures Corporation
Distribuidora: Columbia Pictures
Direção: Penny Marshall
Roteiro: Steven Zaillian, baseado em livro de Oliver Sacks
Produção: Lawrence Lasker e Walter F. Parkes
Música: Randy Newman
Fotografia: Miroslav Ondrícek
Direção de arte: Bill Groom
Figurino: Cynthia Flynt
Edição: Battle Davis e Gerald B. Greenberg


1969, Dr. Sayer aceita um posto em um hospital psiquiátrico em Nova York. Entre seus pacientes ele descobre um grupo de sobreviventes esquecidos, vitimados por uma epidemia da doença do sono de 1916 - um mal que transformava suas vítimas em estátuas vivas. Ele é particularmente atraído por uma destas vítimas, Leonard Lowe.

Com uma nova droga experimental, o Dr. Sayer descobre uma chave vital para "despertar" Leonard e os outros para as alegrias e também para as dores da vida humana, enquanto desperta em si mesmo uma capacidade há muito esquecida: de amar e ter amigos.
Tempo de Despertar (1990) é um filme baseado numa história verdadeira.

Várias são as questões abordadas pelo filme e que podem gerar sentimentos, discussões e ações. Um dos pontos de maior enfoque trata da possibilidade real que o homem de poder se relacionar com os outros homens apesar de todas as diferenças. Também é possível extrair questões sobre o comportamento humano na sociedade, o respeito a si e ao outro, responsabilidade, amizade, persistência para se conquistar um objetivo, etc.

Filme Feitiço do Tempo


Um filme bastante divertido, mas que ao mesmo tempo nos questiona sobre uma inquietante situação: Se tivéssemos apenas um dia para viver, o que faríamos? Ou ainda: Como nos comportaríamos diante da possibilidade de viver eternamente o mesmo dia?

Ao refletirmos um pouco mais sobre o assunto, percebemos que a eternidade é algo que nos assusta. O homem tende a buscar a vida eterna, mas estará apto a viver eternamente?

Estas questões são difíceis de se responder, pois elas se encontram além de nossa razão e também de nossa experiência. Mas nada nos impede de especular um pouco sobre esta questão.

Outra questão interessante é sobre o "tempo qualitativo" e o "tempo quantitativo". Em outras culturas se adotam outros critérios para estipular o tempo, por exemplo: época de plantio, de colheita, as fases da Lua, o movimento das marés, etc. Tais critérios optam por uma concepção qualitativa e cíclica do tempo (supõe-se que o futuro longínquo é idêntico ao passado, ou seja, repetição e qualidade das ações), na sociedade moderna e civilizada o tempo fica preso em um relógio que o quantifica (segundos, minutos, horas, meses, etc). A esse tipo de quantificação damos o nome de tempo linear no qual, há uma evolução do tempo e também da história em que vislumbramos uma finalidade.

Através da exibição do filme podemos dialogar sobre:
  • A inquietação e desespero do homem diante da fantástica possibilidade de ter que viver eternamente um único dia;
  • A valorização da vida, que através da constatação de finitude leva o homem a vivê-la responsável e intensamente;
  • O que é o tempo? Os aspectos da temporalidade;
  • As concepções de tempo conservados pela cultura;
  • A atitude humana diante de uma vida em que sempre haverá uma nova oportunidade.






Filme A Onda



Um filme de Alex Grasshoff lançado no ano de 1981 e agora com nova direção (Dennis Gansel) estreou em 2008.


Principais ideias

O filme intitulado A Onda, possui como plano de fundo a questão do Nazismo e suas respectivas consequências. A Onda é um movimento político-estudantil promovido por um professor de história, que leciona para o ensino médio, acerca da problemática do Nazismo. Este movimento tem início a partir da pergunta de uma de suas alunas: "Como foi possível o nazismo? Todos os alemães participaram, ou foram coniventes com esta situação?". Este questionamento desperta no professor o desejo de colocar em prática (reproduzir) nessa classe todo o percusso que o nazismo levou para se constituir como um dos mais rigorosos regimes políticos de cunho totalitário que o mundo já experienciou.

Tal regime realça por meio de suas ações o aniquilamento  da pessoa humana, destruindo sua liberdade e consequentemente, sua autonomia.

Os alunos são envolvidos pelas doutrinas da Onda, tais como: rigor, respeito total ao ideário do movimento, bem como ao seu líder, renúncia total de sua liberdade e individualidade em prol do objetivo geral.

No entanto, quando toda a trama já se encontra no limite, o professor revela através de um vídeo de Adolf Hitler que a ideologia que estavam aderindo os tinha feito deixar de lado a prática reflexiva, justamente por isso qualquer um podia se tornar nazista, para tanto, bastava abrir mão da faculdade do pensar.

Através do filme várias são as áreas que podem atuar - dialogar, entre elas destaco a filosofia, a sociologia e a história, que por meio do contexto sócio-cultural no qual o nazismo se insere, bem como as consequências históricas de sua presença na vida humana e as condições que levaram o homem a colaborar para este tipo de regime político são problemáticas bastante pertinentes e que podem despertar o interesse de todo cidadão. 



segunda-feira, 18 de junho de 2012

O caráter individual do homem e sua realização na sociedade através da educação segundo Rousseau

Juliana Oliveira Monteiro (Bolsista – PIBID Filosofia)
            Karoline Santos Gomes (Bolsista – PIBID Filosofia)
Maria José Netto Andrade (Orientadora– PIBID Filosofia)


RESUMO: O presente trabalho procura, a partir do pensamento do filósofo e educador Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), figura marcante do iluminismo francês, compreender sua concepção de processo educacional gradual, visando tanto ao homem, como ser individual com suas características peculiares, como uma possível relação harmônica entre o indivíduo e a sociedade. Rousseau parte da noção de que o indivíduo deve se tornar um ser autônomo com capacidade de sobreviver em regiões com as mais variadas formas políticas e crenças. Isso só é possível por meio de uma educação rigorosa, que não visa à quantidade, mas à qualidade. Para Rousseau, controlar os impulsos, as vontades do corpo, o contágio e a degeneração das qualidades naturais, educar para a escolha e a ação de acordo com a necessidade, fundamentando-se no sentimento natural, são pontos importantíssimos a serem alcançados pelo processo educativo.  Rousseau, ao tratar da educação em uma de suas principais obras, intitulada Emílio, ou da Educação, diz que se o desenvolvimento adequado na criança é estimulado, a bondade natural do indivíduo pode ser protegida da influência corruptora da sociedade e, consequentemente, ela se tornará um adulto virtuoso. Dessa forma, será capaz de priorizar a ordem geral em detrimento de sua vontade particular. A proposta educacional rousseniana proporciona-nos, também, discussões sobre sua aplicabilidade na educação atual.
PALAVRAS-CHAVE: Indivíduo. Sociedade. Educação. Rousseau.


Para facilitar a compreensão, o artigo está dividido em quatro subtítulos, o primeiro intitulado O “contrato social” e a “vontade geral”, inicia-se o processo, procura mostrar primeiramente o homem em sociedade, a construção necessária da mesma e a importância da obra “Contrato Social” para o desenvolvimento do presente trabalho.
O contrato social, segundo Rousseau surgiu necessariamente para garantir o bem comum, ele é um meio de encontrar uma forma de associação que defenda e proteja a pessoa e os bens de cada associado com toda a força comum, e pela qual cada um, unindo-se a todos, só obedece contudo a si mesmo, permanecendo assim tão livre quanto antes.[1] Outro conceito importante é o de vontade geral, que se exprime pela soma das diferenças das opiniões, e não a que todos querem. Ela é a anulação das vontades iguais.

O homem quando firma o pacto social não se submete a uma vontade subordinada, mas como representante ele aceita ser dirigido pela vontade geral, da qual ele próprio faz parte, um integrante do corpo político.

No segundo, intitulado Método Gradual no Processo de educação, explicitamos como ocorre o processo de educação para Rousseau, segundo este, o processo deve ser lento e gradual e se inicia antes mesmo do nascimento da criança. Várias são as regras e recomendações em Emílio, na primeira fase de uma criança que vai até os doze anos de idade a educação é estritamente negativa, “Rousseau empenhou-se em esclarecer que é preciso, antes, preparar o terreno para que a virtude possa brotar e florescer[2]. É notavel a intenção de Rousseau de não fazer de sua obra um tratado da educação com métodos a serem seguidos ao pé da letra, pois se assim fosse não estariamos agindo para a formação de um homem livre, com suas caracteristicas e situações próprias.

O responsável pelo processo é o preceptor, mas o ideal seria que o pai de Emílio fosse o responsável pela sua educação, ou seja, o seu preceptor. Sua presença seria imprescindível, pois este naturalmente o ama e tem o dever de educá-lo.

É também importante que a criança não adquira hábitos, pois eles geram outras necessidades além daquelas que são naturais. A questão do hábito, nesta primeira fase da educação segundo o autor, são essênciais, mas não são regras a serem seguidas rigorosamente, apenas ações  que podem variar de acordo com as situações.

No terceiro, Homem – Sociedade, moral – paixão, tratamos da fase em que Emílio está entre 15 e 20 anos, e é nesta que ele irá conquistar autonomia (ser moral) suficiente para viver em sociedade. Nesta segunda fase descrita no livro IV, Emílio vive a sua adolescência, idade das paixões, no entanto, seu preceptor deve ensiná-lo a conviver da melhor forma possível em sociedade.


[1] ROUSSEAU, 1987, p. 32.
[2] DOZOL, 2006, p. 59.


No quarto subtítulo, Hoje em dia, educação para muitos, procuramos fazer um paralelo entre os métodos de Rousseau e os métodos mais convencionais, típicos da educação pública brasileira atualmente. 

O que pensaria Rousseau se deparasse com as nossas salas de aula super lotadas, com uma grande diversidade de alunos, muitos deles sem a mínima estrutura familiar, que se faz tão necessária para se inserir na sociedade cidadãos de boa índole?

Segundo Rousseau a educação se confunde com a vida, no entanto, a criança deve ser estimulada e orientada desde o nascimento por um preceptor, que livre de interesses ama o ato ensinar. Este processo educacional gradual é de fundamental importância para que ela não se entregue as paixões nocivas da sociedade e se desvirtue, caso isso venha a acontecer, a responsabilidade fica sendo unicamente do preceptor, que deve novamente elaborar estratégias com o intuito de encaminhá-la aos métodos que visam a sua própria liberdade.

Atualmente, podemos observar sérios problemas e falhas na educação do Brasil, que se deve a diversos fatores, entre eles: a falta de uma visão estratégica, ou seja, a má gestão das prioridades, a educação deve ser considerada em todos os tempos uma prioridade, e observamos que não é isso que vem acontecendo, pois é possível perceber sérios déficits na educação brasileira; outro fator seria a desinformação da sociedade, em que o governo usufrui da mídia para se promover, maquiando uma realidade, "uma escola assaltada vale mais do que toda repetência daquele ano".



Um dos pontos divergentes da educação brasileira atual com o método rousseniano seria que nossas escolas têm como meta ter cada vez mais alunos aprovados no ensino superior, ou seja, elas não estão preparando o aluno para a vida, mais para as estatísticas de promoção do governo (vestibular etc).

Entretanto, podemos considerar que a nossa educação para todos possibilita a igualdade de oportunidade, usa a diversidade para ensinar e também para incluir a todos, estes são aspectos que irão favorecer uma possível semelhança entre os dois métodos, assim a educação brasileira pode ser considerada uma educação para a vida em todos os sentidos. E é a partir desta reflexão que chegamos a um ponto em comum entre o método do autor e a nossa atual educação, ou seja, parte de seu método ainda pode ser sim aproveitado, mas com determinados ajustes de acordo com as necessidades de nossa época.  



REFERÊNCIAS
DOZOL, Marlene de Souza. Rousseau – Educação: A máscara e o rosto.  Petrópolis: Vozes, 2006.
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Do Contrato Social. 3. ed. São Paulo: Abril, 1983. (Coleção Os Pensadores)
ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da Educação. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
STRECK, Danilo R. Rousseau e a educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2004.
http://revistaescola.abril.com.br/img/politicas-publicas/fala_exclusivo.pdf; >acesso em 10/02/2011 (Os 10 Maiores Problemas da Educação Básica no Brasil) Guiomar Namo de Mello Ed. Fatima Ali, 2003.



terça-feira, 5 de junho de 2012

Devaneio nº4


E se eu possuísse um poder diferente, se eu fosse capaz de despertar-lhe algo que ainda é desconhecido, ou melhor, algo surreal!
Então, percorreríamos caminhos que nos despertariam inimagináveis sensações.
Sabe, aquelas palavras que simplesmente passam e aquelas que ficam por algum tempo guardadas na memória, só esperando o momento oportuno de virem a tona?
E os olhares? Saiba que teu olhar é coberto de tamanhas emoções! Será que serias capaz de desvendar o que se passa além dos olhares que te volvo?
Interiormente como serás?
Em algum momento você se esquecerá de tudo que o prende e esboçará uma só imagem, um formato valioso, aquele que tanto aguardo!
Se te agradas por estas palavras ditas ao incerto... demonstre, não importa como, não importa quem lhe escreve. Deixe que as sensações lhe mostre o caminho, garanto, será inesquecível.