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segunda-feira, 31 de março de 2014

Documentário "Ilegal"

Documentário "Ilegal", conta a história de uma família brasileira que luta para tratar a epilepsia de sua filha de 5 anos com o CBD, uma substância derivada da maconha.
Vamos divulgar meus amigos, pois somente com o nosso apoio poderemos melhorar o nosso próprio dia a dia!!!!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Documentário La educación prohibida



Caro amigo futuro professor,

Gostaria de lhe recomendar um ótimo documentário que acabei de assistir e é tão fácil encontrá-lo na internet com o seguinte nome: La educación prohibida, ele foi produzido por jovens argentinos e lançado em 2012.
À medida em que assistia ao vídeo pensava o quanto ele seria produtivo e importante para você, meu amigo! Pois, trata-se de vários depoimentos de pessoas envolvidas com toda a problemática acerca do processo educativo e como você está se preparando para futuramente se tornar um educador, este irá contribuir para sua formação e também para a construção de uma visão geral de como se dá o ensino nas escolas, o que é também foi uma das propostas do PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência) ao fazer com que seus bolsistas (futuros professores) ainda graduandos de uma licenciatura entrassem em contato com a rotina das escolas.
Várias são as questões abordadas pelo documentário e que merecem destaque, no entanto, primeiramente o que mais me chamou a atenção e penso que também chamaria a sua, pois já nos debruçamos muito sobre esta questão se refere as críticas feitas às práticas educativas tradicionais que prevalecem ainda nos nossos dias e regem o andamento do currículo das escolas brasileiras, apesar delas não serem mencionadas no documentário.
Após ter assistido ao documentário não pude deixar de perceber algumas outras semelhanças entre ele e alguns casos que presenciei no PIBID enquanto cursava minha licenciatura. Irei comentar algumas questões em comum entre ambos, pois sei que será de grande importância para você assim como foi para mim.
Várias são as cenas que mostram a falta de interesse dos jovens pelo estudo, pois estes não conseguem ver nenhum sentido em apenas repetir o que está nos livros didáticos ou o que o professor “fala” em sala de aula. Será que na verdade o professor não “ensina”, mas somente se preocupa em transmitir informações?
No vídeo fica claro que as escolas não procuram desenvolver as habilidades e a autonomia dos seus estudantes, o que ela preza são os conteúdos, que não podem ser deixados nunca de lado e as notas de seus “exames” obrigatórios. Neste ponto, as escolas não avaliam os estudantes pelo que eles são, levando em conta seu estado emocional e muito menos seus interesses. Ou seja, os estudantes em todos os momentos de sua vida escolar são levados a buscar algo que eles não desejam, ou melhor, que eles muitas vezes nem sabe o que é. As ditas avaliações são somente uma forma de satisfazer nossa sociedade que classifica e rotula as pessoas como se fossem apenas simples objetos, Então, em uma escola encontramos aquele estudante EXCELENTE, um outro BOM e o pobre coitado que se frustrará a vida toda, o RUIM.
Todas estas questões eu pude observar enquanto bolsista do PIBID, então constatei que apesar de o documentário ser argentino e não citar nenhum caso brasileiro, todos, eu digo todos os casos e questões abordadas por ele são tipicamente brasileiros, ou seja, estes problemas são nossos.
Percebi também que os professores muitas vezes encontram-se presos aos currículos de sua disciplina e por isso eles não são capazes assim como o estudante de conquistar sua autonomia e muito menos de priorizar ou mesmo de buscar uma relação saudável com seus alunos. A questão da falta de tempo com que o professor lida, também contribui para agravar ainda mais esta questão.
O documentário além de tratar das dificuldades reais vividas nas escolas por seus personagens, ele propõe novas propostas pedagógicas que em sua maioria não são novidades, pois vários estudos e discussões apontam este caminho como uma solução para nossa educação. Muito se discuti que o educador deve repensar sua atuação a cada momento e que o objetivo principal de sua carreira é atingir, ou seja, fazer com que seu aluno se interesse pelo estudo, crie vínculos e busque conhecimento.
Todas as propostas feitas pelo documentário também são necessidades da educação brasileira, elas estavam presentes em todos os estudos que fiz no PIBID, em todas as reuniões do grupo, era visível no olhar de cada estudante das turmas do ensino médio de duas escolas públicas que acompanhei a dúvida e o sofrimento, a primeira por não entender o porquê de estar ali e a segunda por não possuir nenhum tipo de garantia e não conhecer a si próprio.
Para tanto, sempre buscar se atualizar, pensar em sua prática no dia a dia, consequentemente em suas formas de avaliar, sua relação com os estudantes e em verdadeiros objetivos como professor já é um bom começo, que tal?
Querido amigo, eu tenho pensado muito sobre esta profissão que escolhi, suas dificuldades, seus pontos fracos e principalmente nas possibilidades que temos de mudar a situação atual é que têm atraído minha atenção, e isso tem me feito muito bem, nunca antes fui tão bem sucedido em minhas atividades, falo isso pois tenho percebido que quando faço o meu melhor por aquilo que escolhi os meus frutos são reconhecidos em minha rotina em sala de aula. Esta sensação de satisfação, de serviço cumprido me engrandece é como se eu fosse capaz de realizar tudo que quisesse.
Vou finalizando minha carta por aqui e espero que ela seja de grande valia para sua formação e seu futuro. Não vejo a hora de receber sua resposta! Um grande abraço.

Karoline Santos Gomes
Margareth Aparecida da Silva
(Trabalho avaliativo para a disciplina Oficina de Filosofia II entregue 09/04/2013)

sexta-feira, 1 de março de 2013

Lingua gente



Dizer algo quer dizer envolver o outro, quer dizer envolver-se em contratos de cumplicidade e troca. RELAÇÃO, do latim “relatio”, do verbo “re­ferre”, denotando ação de levar de um para outro. A linguagem pode ser encarada como se fosse o elo de ligação entre os seres, pois quando buscamos nos comunicar nada mais fazemos do que partilhar com o outro, de se envolver com o outro, não importando se se promoverá união ou separação e sim o "movimento" em direção ao próximo.

Karoline S. Gomes

terça-feira, 10 de abril de 2012

Violência e Bullying nas Escolas

Trabalho apresentado pelas estudantes de filosofia da UFSJ: Daiane Fátima de Souza
Juliana Oliveira Monteiro
Karoline Santos Gomes
na disciplina Psicologia da Educação II - 2º semestre/2011

O bullying é um tema que vem se destacando muito nos dias atuais e em todo o mundo, possui uma infinidade de opiniões, estudos, publicações e etc., que tentam explicar o fenômeno e os motivos que leva um indivíduo ou grupo a agir de forma deliberada e tão cruel.
No entanto, surgem também interpretações e informações equivocadas que geram controvérsias e que acabam dificultando o processo de entendimento e resolução do problema.
O Conceito
Bullying, é uma forma de violência que ocorre na relação entre pares e sua incidência é maior entre os estudantes, ou seja, no meio escolar e hoje também é identificado fora dele, por exemplo, em ambientes virtuais (cyberbullying). Ele é caracterizado pela intencionalidade e também pela continuidade das ações agressivas contra uma mesma vítima o que resulta em danos e sofrimentos.
Além disso, é também considerado como uma forma de violência gratuita onde a vítima é exposta a uma série de abusos repetidamente, dentre eles: constrangimento, exclusão, discriminação, ameaça, intimidação, etc. Tais atitudes fazem com que a vítima se sinta menosprezada, inferiorizada, humilhada, dentre outras.
Com base nas entrevistas realizadas em uma escola pública, comprovamos que existem divergências no que tange o conceito de bullying, isto é devido aos estudos que são recentes e à carência de estudos mais aprofundados que avaliem seus impactos ao longo do tempo.
 Questão 1 - Especifique suas concepções sobre bullying.
Professor de Educação Física
“Ato de desrespeito e muitas vezes envergonhado pela pessoa agredida”.
Professora de Artes
“Agressão gratuita verbal ou física, por desrespeito às diferenças.”
Professora de História
“Qualquer forma de constrangimento, seja pela cor, aparência, religião, etc.”
Funcionária
“Acho que é um desrespeito, independente da religião, das diferenças.”
Questão 2 - Como você identifica a prática do bullying? Levando em consideração que há brincadeiras entre os alunos, como distingui-lo?
Professor de Educação Física
“A maioria inicia-se com brincadeiras e na grande maioria a própria vítima acha graça, não se dando o respeito. Tal fato se repete com tanta freqüência, que os alunos acham normal as brincadeiras e nem percebem que a agressão é considerada Bullying.” 
Professora de Artes
“Quando esta brincadeira é ofensiva e repetitiva.”
Professora de História
“Quando passa a ser desrespeitosa.”
Funcionária
“Como um desrespeito mesmo. Isso eles aprendem em casa, é falta de atenção, falta dos pais mostrar o que é certo e o que é errado, falta de limite.”

Convergências em seu significado
Uma ideia semelhante que podemos destacar é de que o combate ao bullying vem sendo uma missão mais atribuída às escolas do que aos tribunais e ao governo. Percebemos que nenhum caso de bullying ainda não ultrapassou os limites da escola:
Questão 3 - Ao diagnosticar um caso de bullying, como é dada a orientação ou punição para os alunos (vítima e agressor)? Envolve o conselho tutelar?
Professor de Educação Física
“Desconheço algum caso que já tenha chegado a tal ponto”
Professora de Artes
“Não presenciei nenhuma situação grave a ponto de envolver o conselho tutelar.”
Professora de História
“Depende da situação, em caso mais grave chamamos os pais.”
Funcionária
“Eles reagem, chamam o Conselho Tutelar. Aqui nunca aconteceu, não sei o que fariam. Quando acontece uma coisa simples eles já corrigem.”
Segundo as leis devem ser instituídos nas escolas programas preventivos, e que sejam compostos por um conjunto de ações visando reduzir o problema e o incentivo da cultura de paz. Entre os programas podemos citar: capacitação de docentes e equipe pedagógica para o diagnóstico; intervenção e encaminhamento de casos; envolvimento da comunidade escolar – pais, docentes, discentes, equipe pedagógica – nas discussões e desenvolvimento de ações preventivas, entre outros.
No entanto, na realidade escolar estes programas não estão acontecendo e além do mais os profissionais da educação estão totalmente desinformados do que seja e se a sua escola desenvolve algum projeto de prevenção ao bullying. Tal fato pode ser claramente percebido nas respostas dadas as seguintes perguntas:

Questão 4 - A escola realiza projetos de prevenção ou de conscientização sobre bullying?
Professor de Educação Física
“Houve palestra e há também orientação da direção.”
Professora de Artes
“Sim, o PEAS.”
Professora de História
“Sim, durante todo o ano.”
Funcionária
“Não tem, que a gente saiba. Talvez tenha mais à tarde com as crianças.”
Questão 5 - Todos os funcionários da escola podem participar de tais projetos?
Professor de Educação Física
“Creio que sim.”
Professora de Artes
“Sim, os que se interessarem.”
Professora de História
“Sim.”
Questão 6 - Existem projetos na escola sobre bullying que envolvam os pais?
Professor de Educação Física
“Se há, eu desconheço.”
Professora de Artes
“Os projetos envolvem toda comunidade escolar, os que estiverem interessados.”

Professora de História
“Não, o que é uma falha.”
Quem são
É importante ressaltar que nas ocorrências de bullying é necessária a identificação dos participantes, estes não se restringem somente a vítima e agressor, temos: a “vítima típica”- aquele que serve de bode expiatório para um grupo; a “vítima provocadora”- aquele que provoca determinadas reações contra as quais não possui habilidades para lidar; a “vítima agressora”- aquele que reproduz os maus-tratos sofridos;  o “agressor”- aquele que vitimiza os mais fracos e o “espectador”- aquele que presencia os maus-tratos, porém não o sofre diretamente e nem o pratica. Quanto a essa questão obtemos as seguintes respostas:
Questão 7 - Em sua opinião, qual o perfil da maioria dos alunos que são vítimas de bullying? E do agressor?
Professor de Educação Física
“Vitima: a maioria timidez, agressor: arrogância, indisciplinado, liberdade entre os envolvidos”
Professora de Artes
“As vítimas são tímidas de baixa auto-estima e inseguras. O agressor normalmente, são seguros e desinibidos, mas com baixa auto-estima também”
Professora de História
“Pessoas mais tímidas ou que tenha algo que se destaque em sua aparência física.”
Funcionária
 “Vítima: Sem perspectiva, fechada, retraída. Agressor: Mal educado, violenta, agressiva, sem respeito.”
Identificação
Infelizmente é difícil tanto para os profissionais da educação quanto para os pais identificar e distinguir o bullying de outras ações agressivas. Principalmente os pais devem ficar atentos a alguns comportamentos frequentes neste caso, no perfil do agressor em que se destaca os seguintes sintomas: irritabilidade, agressividade, impulsividade, ar de superioridade, etc. Já no caso da vítima é preciso atentar-se para: explosões de irritação, dores de cabeça e de estômago, tonturas, pouco apetite, entre outros.
“Esta forma de violência é de difícil identificação por parte dos familiares e da escola, uma vez que a vítima se vale da ‘lei do silêncio’, por medo de sofrer represálias e por vergonha de admitir que está apanhando ou passando por situações humilhantes na escola ou, ainda, por acreditar que não lhe darão o devido crédito. Sua denúncia ecoaria como uma confissão de fraqueza ou impotência de defesa.”
Cleo Fante
Questão 8 - Em sala de aula ou em outro lugar do ambiente escolar, já presenciou alguma situação de bullying?
Professor de Educação Física
“Sim.”
Professora de Artes
“Sim, várias vezes.”
Professora de História
“Infelizmente sim.”
Funcionária
“Não, somente brincadeiras.”
Questão 9 - Qual sua reação diante de tal situação?
Professor de Educação Física
“Quando a vítima é uma pessoa próxima, tomo a liberdade e peço que ela se dê o respeito para que não se repita.”

Professora de Artes
“Indignada, tento intervir, mostrando a posição errada do outro lado.”
Professora de História
“Não acho correto, minha reação seria entrar no meio e defender a vítima.”
Funcionária
“Não acho correto, minha reação seria entrar no meio e defender a vítima.”
Questão 10 - Como você identifica a prática do bullying? Levando em consideração que há brincadeiras entre os alunos, como distingui-lo?
Professor de Educação Física
“A maioria inicia-se com brincadeiras e na grande maioria a própria vítima acha graça, não se dando o respeito. Tal fato se repete com tanta freqüência, que os alunos acham normal as brincadeiras e nem percebem que a agressão é considerada Bullying.” 
Professora de Artes
“Quando esta brincadeira é ofensiva e repetitiva.”
Professora de História
“Quando passa a ser desrespeitosa.”
Funcionária
“Como um desrespeito mesmo. Isso eles aprendem em casa, é falta de atenção, falta dos pais mostrar o que é certo e o que é errado, falta de limite.”
Percebemos através das entrevistas que as escolas não estão preparadas para lidar com situações de bullying, devido à falta de programas e projetos preventivos que envolvam a participação da comunidade escolar (pais, professores, pedagogos, funcionários, estudantes, etc) e as variadas concepções superficiais sobre o assunto e sobre a própria escola.
 No entanto, é de fundamental importância que as escolas promovam espaços para que ocorra uma verdadeira conscientização sobre o bullying e que possuam também a participação de profissionais capacitados que possam diagnosticar e prevenir essas práticas.

Referências:

Interação Professor-Aluno

Trabalho apresentado pelas estudantes de filosofia da UFSJ: Daiane Fátima de Souza
Juliana Oliveira Monteiro
Karoline Santos Gomes
na disciplina Psicologia da educação I - 1º semestre/2011


No presente trabalho será discutida a atual questão da importância de se promover uma possível relação entre o professor e seus alunos. Investigaremos acerca da questão da falta de interesse dos alunos, que consequentemente está relacionado com diversos fatores, entre eles: falta de uma boa formação dos professores, de valorização do professor, de recursos materiais nas escolas, de criatividade do professor e o profissional que não se identifica com a profissão.
Para melhor tratarmos o tema acima, foi analisada a obra de Cipriano Carlos Luckesi, intitulada Filosofia da Educação, mais propriamente o capítulo sexto, cujo título é: Sujeitos da Práxis Pedagógica: O Educador e o Educando, no qual ele descreve minuciosamente como devemos definir o que seria os “sujeitos” da prática educativa e como poderia ocorrer uma relação entre eles.
Também foi analisado dois artigos científicos, o primeiro intitulado: Variáveis que afetam a aprendizagem: percepção de alunos de licenciatura e professores das autoras: Elzira Teixeira Ariza Oliveira e Solange Muglia Wechsler, e o segundo Processos de significação na relação professor-alunos: uma perspectiva sociocultural construtivista de Maria Carmen Villela Rosa Tacca e Angela Uchoa Brancco.
A princípio Luckesi procura definir o que são os sujeitos da práxis pedagógica e qual o seu verdadeiro papel, no entanto, ele enfatiza, que para tanto, é necessário analisar essa questão a luz da razão, ou seja, devemos sair do mero senso comum e iniciar de forma critica com a pergunta “O que é o Ser Humano?”.
O ser humano é dotado de várias características, entre elas: ele é social, pode transformar a realidade e a si próprio por meio de sua ação, é um ser histórico, então, está em constante movimento, sofre transformações determinadas pelo seu tempo.
Para fundamentar estas características, o autor vai descrever o pensamento de Marx, no que se refere à questão do trabalho na sociedade capitalista. Para ele, a “essência do ser humano é o trabalho”, pois é fonte criadora. Luckesi vai tentar promover didaticamente uma discussão concreta sobre o processo da educação, pois assim, estaremos em contato com a verdadeira situação educacional atual, em que o educar é construir e alienar ao mesmo tempo.
Como o ser humano se realiza pela sua ação, está deve ser entendida, como sendo um ponto positivo do trabalho/educação, por ela o homem pode voltar-se para si mesmo, ele pode refletir sua ação e procurar conhecimento. Aqui encontramos um eterno movimento que promove desenvolvimento. No entanto, essa mesma ação que constrói o ser humano, também o aliena. E exatamente, por termos este fator negativo, que aliena a consciência do educando, passamos a enxergar uma possibilidade da mudança, que poderá ocorrer através da criatividade e da comunicação das experiências entre os seres humanos.
O educador possui um importante papel nesse processo. Ele é o ser humano que possui um papel específico na relação pedagógica, que seria o de mediar o universal (a cultura acumulada pela humanidade) e o particular do educando, que deve ser sempre considerado. Para tanto, o educador deve ter um nível de cultura necessária, por isso ele não pode ser ingênuo, ou mero reprodutor da sociedade, ele também tem que ter clareza daquilo que está comprometida a sua ação.
Também temos que ressaltar o quanto se faz importante a competência teórica, o educador não deve “despejar” conteúdos na sala de aula, ele precisa conhecer bem seu campo e desejar ensinar, possuir a “arte de ensinar”, gostar e se identificar com a profissão.
O educando é o sujeito que busca adquirir um novo patamar de conhecimento, habilidades e modos de agir, por isso busca a escola (forma institucionalizada de educação na sociedade moderna, que exige cada vez mais novos níveis de entendimento). Ele não é “pura massa” a ser informada, mais deve ser visto como um sujeito com capacidade de construir-se a si mesmo.
A cultura elaborada não suprime a cultura do educando, adquirida pelas suas experiências cotidianas (limitada), ela necessita da mediação do educador e é uma nova cultura reorganizada pelo próprio educando. Neste ponto, percebemos que ele não é um puro saber, nem total ignorância, mais um sujeito que busca constantemente conhecer.
Na relação professor-aluno, o educador é o responsável por criar condições para que o aluno cresça e se desenvolva o que somente ocorrerá se ele usar o mínimo parâmetro de criticidade e entender que o mundo está em constante transformação, ou seja, a educação é um processo que também passa por mudanças, e o educador precisa sempre se adequar a elas, buscando novos métodos de ensino.
No que diz respeito ao artigo: Variáveis que afetam a aprendizagem: percepção de alunos de licenciatura e professores, as autoras Elzira Teixeira e Solange Muglia procuram ressaltar a importância da interação professor-aluno no decorrer do processo de aprendizagem.
Esse artigo descreve uma pesquisa que foi realizada com o objetivo de analisar algumas variáveis que podem afetar o processo de ensino-aprendizagem. A principal preocupação das autoras era encontrar métodos mais eficazes para assegurar um bom desempenho escolar dos alunos em geral.
Para a realização da pesquisa foi selecionada uma amostra contendo noventa estudantes dos cursos de licenciatura em Matemática, Psicologia e Pedagogia e trinta professores da Rede Estadual. Foi dado um questionário com escala do tipo Likert investigando as seguintes áreas de ensino: cotidiano do aluno, planejamento pedagógico, interação professor-aluno e a criatividade no ensino. Além disso, foi pedido aos sujeitos que citassem dez adjetivos do professor real e dez adjetivos do professor ideal. Os resultados obtidos nessa pesquisa foram de extrema importância para confirmar que falta criatividade, principalmente, nos cursos de graduação em licenciatura.
Foi observado que para os alunos de licenciatura as principais características do professor real foram: cansado, desvalorizado, agressivo e preocupado e para os professores: mal-remunerados, cansado, desvalorizado e desatualizado. Quanto ao professor ideal as principais características consideradas pelos alunos foram: criativo, amigo, pesquisador e atualizado, enquanto para os professores foram: criativo, atualizado, bom salário e respeitado.
A partir dessa pesquisa ficou bem claro que a principal característica do professor ideal tanto para os alunos como para os professores foi à criatividade. Outro ponto importante da pesquisa é a valorização do planejamento. Os alunos dão uma maior atenção para o planejamento do que os professores.  O professor real precisa desenvolver melhor o seu lado criativo a fim de melhorar o processo de ensino-aprendizagem.
Outro ponto que merece grande destaque é a interação professor-aluno. Observa-se a pouca importância dada pelos alunos e pelos professores para essa área. As autoras do artigo pretendiam enfatizar essa questão, pois consideram de extrema importância, porém, nem os alunos nem os professores perceberam a importância dessa interação.
Portanto, o processo de ensino-aprendizagem está com grandes falhas que precisam ser repensadas. Segundo as autoras: “Existe a necessidade de repensar a educação para torná-la mais criativa, desenvolver lideranças criativas que contribuam com melhorias no processo de ensino-aprendizagem libertando os estudantes de um sistema de educação mecanicista e robotizante.” (......).
Assim, foi oportuna a utilização do artigo Processos de significação na relação professor-alunos: uma perspectiva sociocultural construtivista de Maria Carmen Villela Rosa Tacca e Angela Uchoa Brancco.
Será feita uma análise das relações entre interações sociais, processos de significação. O estudo analisará a interação dos fatores socioculturais que tenham uma participação ativa do indivíduo em questão. A exigência da qualidade da educação para todos exige a investigação dos fatores e das circunstâncias que implicam no fracasso escolar na escola pública principalmente, este que é ainda tão persistente.
            Entretanto deve-se ter em mente que o fracasso escolar não está ligado somente à classe social que a criança é educada. “Com a expectativa de desconstruir os mitos criados a respeito das crianças, seu desenvolvimento cognitivo, suas famílias e a condição de pobreza da classe de baixa renda.” (CHARLOT, 2000). Há outros fatores ligados ao mau desempenho nos estudos, e também ao problema de indisciplina dos alunos.
            É importante observar que a criança nesta visão construtivista é considerada como um ser ativo, sendo assim, a escola ao tentar ser democrática acaba por cometer inadequações severas, pois não se abre para a perspectiva dos: sujeitos concretos, com suas diferentes formas de ser e pensar sejam alunos ou professores.
            Nem sempre as crianças aprendem aquilo que supostamente à professora lhes ensina, seja em termos de conteúdos, ou em termos de conhecimentos acerca de si e do mundo à sua volta. Cada criança tem sua maneira própria de receber conhecimentos e informações. Esta vai aos poucos compreendendo o significado dos sistemas culturais que caracterizam o que Valsiner chama de cultura coletiva. Entretanto, co-constrói esses significados de maneira ativa e singular, constituindo a sua cultura pessoal. Dessa forma é inadmissível que crianças saudáveis sejam consideradas limitadas e sem condições necessárias para um processo educacional bem elaborado.
            “No contexto da sala de aula, quando o professor comunica qualquer mensagem, cada aluno vai recebê-la significando-a de um modo específico, muitas vezes bem diferente.” (TACCA, 2000).
            A experiência foi feita com duas professoras de segunda série da educação básica. Os processos observados foram:
1°: comunicativos e metacomunicativos
2°: as estratégias pedagógicas
3°: as relações com o saber que eram possibilitadas.
      Houve três sessões que foram "estruturadas" visando:
1°: a privilegiar interações da professora com o grupo todo
2°: os alunos deveriam trabalhar entre si com sua supervisão
3°: a sessão deveria ser estruturada para promover interações didáticas professora-aluno.
      Vilma selecionou quatro alunos, suas atividades desenvolveram em quatro dias consecutivos, já Yolanda em três dias. É importante ressaltar que ambas as professoras se dedicaram para ajudar nas etapas da experiência. O critério de seleção dos alunos foi por terem dificuldade de aprendizagem e de comportamento. Os nomes das professoras e dos alunos são fictícios.
      Vilma escolheu trabalhar com o resumo da fábula A cigarra e a formiga. Tinha pedido aos alunos que trouxessem para a aula curiosidades sobre as cigarras e formigas, após cobrar a tarefa ao aluno João Paulo constatou que este não havia pesquisado nada não só este, mas seus colegas também, Vilma não se preocupou em indagar por que estes não realizaram a tarefa. A professora havia trazido consigo xérox de textos científicos de enciclopédias. Começou então a ler para os alunos numa linguagem científica super difícil, tanto que ela mesma tinha notável dificuldade para ler. Os alunos faziam perguntas interessantes e muito pertinentes a professora, porém esta não estava com segurança de responder, afinal nem ela não se preparou para as possíveis dúvidas dos alunos.
      Ao demonstrar certo nervoso e desconforto diante dos alunos, Vilma disse a eles que o motivo de tanta dúvida se devia ao fato deles não terem realizado a tarefa.
      A interatividade da professora e dos alunos se ateve num clima de incerteza, insegurança e medo afastando possibilidades de aprendizagens significativas sobre um bom tema que despertava a curiosidade e motivação das crianças.
      A professora Yolanda escolheu trabalhar o livro Se as coisas fossem mães, de Sylvia Orthoff. A história era muito propícia já que era mês das mães. Yolanda pediu aos alunos uma atividade escrita que ampliasse as ideias do livro. Esta dava indicadores que ajudavam as crianças a estabelecer relações com coisas ou experiências já vividas. Quando a criança pedia auxílio à professora, esta procurava que a criança mesma identificasse de forma ativa o próprio erro.
      Yolanda mantinha uma voz segura e firme procurando passar segurança aos alunos, incentivava-os dizendo “você sabe”. E por fim reforçava: “não disse que você sabia”.
Vilma: emitia mensagens explicitas e implícitas (verbais e não-verbais) sobre sua desconfiança em relação à capacidade de atenção e aprendizagem das crianças. Os processos de comunicação eram caracterizados, segundo ela, pela falta de interesse ou pré-requisitos por parte dos alunos (conhecimentos prévios, condições familiares, capacidades intelectuais). Por parte dos alunos, observou-se retraimento, medo, insegurança, e submissão diante da autoridade.
Yolanda: apresentava-se bastante construtiva em seus processos comunicativos com os alunos, construindo com eles uma relação de confiança. Cuidadosa nas mensagens implícitas e explícitas, falava com as crianças, mesmo quando corrigia seus erros, considerando que estavam em processo de construção da aprendizagem. Ao questionar as crianças, Yolanda mostrava-se transparente em seus objetivos e intenções, evidenciando respeito ao grupo. Nas perguntas desafiadoras, não havia indicadores de acusação implícita.
Em relação às estratégias pedagógicas, mediadoras da ação docente, foi possível verificar que ambas tinham recursos e/ou materiais pedagógicos similares. A diferença estava na forma como estes eram utilizados, e em quais atividades eram propostas. O que diferenciava as professoras não eram os recursos que tinham para trabalhar, mas suas crenças e objetivos. 
Cada professor tem seu estilo e assim como McDermott (1977) dizia:“O importante não é o "estilo" do professor, mas sim o estabelecimento de uma relação de confiança entre ele e seus alunos.”
A conclusão aponta pata o fato dos processos de significação estar apoiados na metacomunicação e na unidade cognição-afeto, que direcionam as possibilidades de aprendizagem.

Considerações finais
Tanto na docência como em outras profissões amar o que se faz é o principal fator que garante o sucesso de ambas as partes, assim não só o profissional da educação, mas também as sociedades em geral se beneficiarão com os resultados obtidos posteriormente.
Atualmente percebe-se pouco ou nenhum interesse dos alunos para a aprendizagem dentro das escolas, esta realidade poderia ser modificada se houvesse profissionais mais criativos, visto que a criatividade é essencial para o processo interação professor-aluno, nota-se a necessidade de mudança nos métodos de ensino atuais que deve começar na graduação, mais especificamente, nas disciplinas pedagógicas dos cursos de licenciatura, possibilitando assim ao futuro professor e ao meio escolar uma relação mais harmoniosa e produtiva em todos os aspectos.

Referências

         www.scielo.br acesso em 13/06/2011 

         LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da Educação. São Paulo, Cortez. 1991



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Indagação


Para que serve a FILOSOFIA como licenciatura na camada popular?


- Como algo Descartável


- Útil = tapar buracos


- Prática = realmente necessário